Quer saber o que comprar agora na Bolsa? Receba as melhores dicas do Brasil

Cotações por TradingView
Cotações por TradingView

ETF de renda fixa do Tesouro pode começar no primeiro semestre de 2019

Arena do Pavini - 07/11/2018 - 8:18

Arena do Pavini – O Tesouro espera colocar no mercado até o fim do primeiro semestre do ano que vem ETF de renda fixa, um fundo com cotas negociadas em bolsa lastreado em títulos públicos federais. O Exchange Traded Fund (ETF) do Tesouro será o segundo de renda fixa lançado no Brasil, já que a gestora de recursos coreana Mirae Asset já lançou um ETF lastreado em contratos futuros de juros.

A informação foi dada pelo coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Luis Felipe Vital Nunes Pereira, durante o 7º Seminário O Desafio da Gestão de Investimentos na Previdência Complementar Fechada, promovido plea Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). O mercado já tem vários ETFs que reproduzem índices de ações, mas em renda fixa ainda há apenas um.

Segundo Pereira, o ETF deve incentivar a emissão de papéis de longo prazo e contribuir para a desindexação da economia. O ETF será gerido pelo Itaú Unibanco e permitirá aplicações de valores mais baixos em renda fixa com imposto menor no curto prazo.

Pereira destacou que o perfil da dívida pública brasileira melhorou bastante nos últimos dez anos, com a redução da parcela em juros flutuantes e especialmente em dólar, que passou de 30% em 2004 para 8%. Mesmo assim, o Tesouro ainda quer reduzir mais a parcela em juros pós-fixados, as LFTs, que ainda representam quase 30% da dívida. “A chamada dívida não desejável, atrelada ao dólar e ao juro, eram 80% e hoje são menos de 40%, mas ainda tem de cair mais”, afirma. O prazo médio da dívida também melhorou e a parcela que vence em 12 meses caiu de 30% para 16%.

Segundo Pereira, o mercado viveu um momento de turbulência no primeiro semestre com a instabilidade dos mercados internacionais e do mercado local, o que provocou forte alta dos juros pagos nos papéis federais brasileiros. Isso levou o Tesouro a suspender os leilões de papéis prefixados e a fazer operações de recompra desses papéis mais longos, para reduzir a pressão sobre as taxas e dar liquidez ao mercado.

Mas agora, em outubro, houve uma melhora dos mercados após a eleição, mesmo com a piora do cenário internacional. “Os juros dos papéis longos caíram 1,5 ponto percentual e o risco-Brasil medido pelo Credit Default Swap (CDS) recuou para menos de 2 pontos percentuais de novo”, diz. O Tesouro voltou também a fazer leilões de títulos prefixados longos.

Apesar da queda recente dos juros longos das NTN-B, papéis corrigidos pela inflação, Pereira observa que eles estão acima da média histórica e tende a se ajustar caso o país avance nos ajustes fiscais e da Previdência, que permitiriam taxas mais baixas no longo prazo.

Ele destacou alguns desafios do Tesouro para a dívida pública. Um deles é aumentar a parcela de papéis mais longos nas carteiras dos fundos de previdência privada fechada e reduzir a parcela aplicada em LFT, corrigidas pelo juro pós-fixado. Segundo ele, os fundos de Contribuição Definida (CD), que atualizam suas carteiras pelo valor de mercado dos títulos, evitam comprar NTN-B longas porque não querem que as cotas registrem perdas quando os juros sobem o que assusta os investidores.

Já os fundos que corrigem seus títulos pelo rendimento acumulado, e não pelo mercado, a chamada marcação pela curva dos juros, têm títulos mais longos, pois não sofrem com a oscilação. Pelo mesmo motivo, há carteiras CD de previdência com 30% dos recursos aplicados em LFT, de curto prazo, o que também não é coerente com a aplicação. “Precisamos criar condições para ter carteiras de previdência com perfil compatível com a aplicação de longo prazo”, diz.

Outro desafio é controlar a dívida pública bruta, que seguirá crescendo mesmo com os ajustes fiscais. A estimativa é que ela continuará e ultrapassará os 80% do PIB, começando depois a cair caso o governo consiga zerar o déficit primário e passe a ter superávits, o que terá de incluir uma reforma da Previdência. “Feito esse ajuste da Previdência Social, o mercado deve estar preparado para o aumento da previdência privada e para a queda dos juros, que trará outro desafio que será conseguir aplicar os recursos com ganhos menores na renda fixa”, lembra.

Última atualização por Gustavo Kahil - 27/09/2019 - 13:42