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Especialista em bolhas de ativos é nomeada para conselho do BCE

11/11/2019 - 16:38
Em relatório de 2004 escrito em parceria com Hyun Song Shin, Schnabel destacou a crise financeira ocorrida em 1763 que varreu o norte da Europa e viu paralelos com episódios mais recentes (Imagem: Krisztian Bocsi/Bloomberg)

A próxima diretora do Banco Central Europeu chega com um extenso portfólio de pesquisas sobre como os sistemas financeiros ao longo da história lidaram com guerras, bolhas e hiperinflação.

Isabel Schnabel, nascida na Alemanha, foi formalmente nomeada pelos ministros das Finanças da zona do euro na semana passada para preencher a vaga de Sabine Lautenschlaeger, depois de um pedido de demissão inesperado.

Talvez ciente de que três alemães membros do conselho saíram antes do previsto, o governo deixou de lado a tradição de trazer funcionários do Bundesbank – e, em um caso, da política – e optou por uma acadêmica.

Uma análise sobre a pesquisa da professora da Universidade de Bonn mostra uma preferência por crises históricas. Isso indica que, embora a especialista não seja uma linha-dura antiestímulo, ela estará atenta aos riscos da estratégia do BCE de injetar enormes volumes de liquidez na economia na tentativa de alimentar a inflação.

Em um artigo sobre os 400 anos de bolhas de ativos, Schnabel e o professor da Universidade de Princeton Markus Brunnermeier concluíram que as bolhas são geralmente precedidas por uma política monetária expansionista – nenhuma surpresa -, mas que “a gravidade da crise econômica após o estouro de uma bolha está mais ligada ao financiamento da bolha do que ao tipo de ativo”.

Schnabel definitivamente não defende rigidamente o aperto monetário, mas também “não é tão dovish quanto algumas pessoas pensam”, disse Brunnermeier. Ele a descreveu como “equilibrada e mais europeia”.

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Em relatório de 2004 escrito em parceria com Hyun Song Shin, Schnabel destacou a crise financeira ocorrida em 1763 que varreu o norte da Europa e viu paralelos com episódios mais recentes. O padrão de relações de crédito interligadas e elevada alavancagem levaram a vendas de ativos e a uma grave crise de liquidez.

“Embora as instituições financeiras tenham mudado fundamentalmente nos últimos 200 anos, os problemas subjacentes parecem universais”, concluíram.

Schnabel já é consultora do governo da chanceler alemã Angela Merkel e desempenhou a mesma função no Conselho Europeu de Risco Sistêmico, que faz propostas de proteção contra riscos sistêmicos. O ex-presidente do BCE, Mario Draghi, a elogiou como uma excelente economista.

Última atualização por Renan Dantas - 11/11/2019 - 17:11