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Entrevista: CoinBene quer viabilizar soluções de blockchain no Brasil, diz CEO

Investing.com Brasil - 01/11/2018 - 10:50
Feng Bo, CEO da CoinBene Brasil

Por Investing.com – O mercado brasileiro surpreendeu a todos quando o número de investidores com carteiras de moedas digitais superou em meses os cadastrados para atuar na Bovespa e, mesmo após o esvaziamento do hype das moedas digitais em 2018, seguiu crescendo. De olho nesse mercado em expansão, a exchange global CoinBene definiu o Brasil como uma das prioridades em seu plano de negócio.

Em conversa com o Investing.com Brasil, o CEO das operações brasileiras da CoinBene, Feng Bo, contou que o foco será na educação do mercado nacional e na viabilização de tecnologias baseadas em blockchain. “É nossa função educar os investidores sobre as possibilidades por trás dessas aplicações”.

Gigante, a CoinBene está entre as 10 maiores exchanges globais, movimentando diariamente mais de US$ 250 milhões. No Brasil, a plataforma oferta mais de 140 moedas e tokens, sendo nove pares em real.

Investing.com – Poderia apresentar a CoinBene para o investidor brasileiro?
Feng Bo – A CoinBene surgiu em agosto de 2017 e lançamos a plataforma de trading em novembro daquele ano. A nossa sede fica Singapura e nosso time operacional e técnico fica em Pequim, na China. Temos escritórios em Hong Kong, Malásia, Índia e no Brasil.

Inv.com – Por que o Brasil?
FB – O Brasil é uma das nossas prioridades, junto com Índia, Indonésia, Malásia, Coreia do Sul e Japão. Antes da CoinBene se instalar aqui, o Brasil já possuía players locais fortes no mercado de criptomoedas como FoxBit e Mercado Bitcoin. Isso nos mostrava que o mercado existia localmente e possuía grande potencial.

O Brasil tem um bom número de usuários e um volume suficientemente de operações, além de vivenciar um crescimento forte. Vemos uma grande oportunidade para a CoinBene, não só pelas atividades locais, mas porque o Brasil também é o centro financeiro de toda América Latina e acreditamos que podemos basear aqui nossas atividades da região.

Inv.com – Como está a atuação da CoinBene no Brasil?
FB – Hoje temos nove pares de moedas digitais que podem ser negociadas diretamente em real. São eles: bitcoin, tether, ether, XRP, smart, EOSlitecoinbitcoin cash e ethereum cash. Além dessas, temos uma plataforma com mais de 140 tokens que podem ser acessados através da nossa plataforma. Vários deles ainda são desconhecidos pelo investidor brasileiro.

Inv.com – Por que ofertar tantos tokens se eles são desconhecidos?
FB – O importante por trás desses tokens é a tecnologia que eles abrangem. Cada um deles tem uma aplicação que pode trazer soluções para negócios. Se você não conhece, eles são apenas símbolos usados no trading e esse não é nosso objetivo. É nossa função educar os investidores sobre as possibilidades por trás desses tokens.

Inv.com – Há interesse na tecnologia desses tokens?
FB – Infelizmente, no Brasil, ainda são poucas as companhias que estão investindo nesta nova tecnologia, que é o blockchain. As pessoas aqui ainda estão mais preocupadas com o trading de bitcoin. Não queremos disputar com os competidores locais por uma fatia desse mercado. Queremos mais que isso, pois acreditamos que criptomoedas são uma parte do grande mercado de blockchain. Nós queremos trazer esse ecossistema para o Brasil.

Inv.com – Como está a conversa com parceiros e qual a recepção?
FB – No primeiro semestre, nós iniciamos conversas com ao menos seis potenciais clientes para projetos com uso de blockchain no Brasil. Nós podemos prover o conhecimento e acesso a parceiros no mercado brasileiro, além do marketing na nossa plataforma. Com o SmartCash, por exemplo, nós os ajudamos a construir negócios e contatos com bancos e empresas de pagamento.

Inv.com – E quais as áreas têm maior foco?
FB – Nossos clientes atuais possuem maior interesse nas áreas financeira e logística.

Inv.com – Como está o Brasil comparado a outros países onde a CoinBene atua?
FB – O mercado local é bastante similar a outros países como Malásia, que não tem muitas aplicações de blockchain, mas há um grande interesse em trading por causa da diferença de preços. Outras coisas são bem diferentes por aqui. Por exemplo: lidar com os bancos não é tão fácil.

Inv.com – Como foi essa relação com bancos?
FB – A CoinBene até agora não enfrentou nenhum desses problemas de bloqueio ou cancelamento de contas que afetaram outras exchanges. Desde o começo, nós conversamos e mostramos que queríamos seguir todas as regras locais. Eles querem saber sobre compliance, sobre assuntos internos da empresa e temos que avançar mais em proteção de informação e governança do que em outros países. Até agora, não tivemos problemas. Até agora. Acredito que ainda teremos mais trabalho para evitar essas questões no futuro.

Inv.com – Como a CoinBene vê a questão da regulação das criptomoedas?
FB – Para nós, que temos operações em diversos países, não temos medo de regulação. Nós queremos regulação. Mas precisamos de regras claras. Nós esperamos que o governo brasileiro seja aberto, aprenda com outros países e, no fim, seja justo com essas novas tecnologias.

Vejo isso como uma tendência: todos os governos devem estar mais atentos às criptomoedas e fazer algumas mudanças. Acreditamos que a CoinBene poderá ajudar nesse processo no Brasil.

Última atualização por Gustavo Kahil - 01/11/2018 - 10:50