É o fim das ‘bitcoin treasuries’? Empresas mudam estratégia de acumulação infinita de BTC em meio à queda do mercado; saiba o que significa
As Digital Asset Treasuries (DAT, na sigla em inglês), isto é, empresas que adotam como estratégia o encarteiramento de criptomoedas, se popularizaram nos últimos meses. As mais famosas, aquelas que engordam as reservas com bitcoin (BTC) são o maior expoente deste segmento — e vivem momentos bastante difíceis.
Só nas últimas duas semanas, as maiores bitcoin treasuries do mundo — MARA Holdings e Strategy — recalcularam a estratégia de compras de BTC.
Enquanto a Strategy pausou a compra de bitcoins depois de quase três meses consecutivos de aquisições semanais, a MARA Holdings vendeu cerca de US$ 1 bilhão em BTCs, alegando que se tratava de uma ação pontual voltada à desalavancagem da empresa.
Apesar de serem eventos alegadamente pontuais, o momento não é dos melhores para as criptomoedas. Só nos últimos seis meses, os preços da maior criptomoeda do mundo caíram mais de 40%, colocando o mercado global de ativos digitais em bear market.
Mas o que isso significa para o mercado a partir de agora?
DATs em xeque: é o fim para o bitcoin (BTC)?
Para a analista e trader de cripto Sara Uska, esses movimentos geram pressão de curto prazo sobre o preço, mas ainda dentro de uma faixa de volatilidade já esperada para o bitcoin.
Tanto a venda da MARA Holdings quanto a interrupção de compras da Strategy não devem ser encarados exatamente como uma mudança estrutural de posicionamento das empresas. “Após aquisições expressivas no início de março, uma pausa pontual pode refletir apenas ajuste tático”, comenta Uska.
Em conjunto, na visão da analista, os dois eventos tiveram impacto limitado no mercado até o momento. “Não há sinais de deterioração mais ampla, mas movimentos recorrentes de venda por grandes players ou interrupções prolongadas na demanda institucional merecem acompanhamento mais atento nas próximas semanas”.
No caso específico da Strategy, não é de hoje que o mecanismo de emissão de ações e títulos conversíveis em ações é questionado pelo mercado.
Isso porque, em primeiro lugar, há a possibilidade de os investidores exercerem a opção de compra de ações (no caso das dívidas conversíveis) e forçar a venda de BTCs para cobrir as perdas com a criptomoeda.
Mesmo no caso de uma venda de bitcoins feita pela atual gestão, a Strategy se colocou em uma armadilha. Isso porque, por ser a empresa pública com a maior carteira de BTCs, qualquer sinalização de venda pode desencadear um efeito cascata nas cotações, exigindo mais vendas para cobrir as perdas da companhia.