Dólar fecha em nova máxima desde abril após Fed projetar altas de juros em 2022
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O dólar (USDBLR) subiu pela quinta sessão consecutiva contra o real nesta quarta-feira, a nova máxima em oito meses, depois que o banco central dos Estados Unidos anunciou a antecipação do fim de suas compras de títulos e projetou aumentos de juros já em 2022.
O dólar à vista subiu 0,21%, a 5,7072 reais na venda, novo pico desde 13 de abril deste ano (5,7175).
A divisa marcou seu quinto ganho diário consecutivo, o que investidores também atribuíram à demanda sazonal pela moeda norte-americana.
Na B3 (B3SA3), às 17:43 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,34%, a 5,7220 reais.
O Fed disse nesta quarta-feira que encerrará em março suas compras de títulos adotadas durante a pandemia, pavimentando o caminho para três aumentos de 0,25 ponto percentual cada nas taxas de juros até o fim de 2022.
Juros mais altos nos Estados Unidos são amplamente vistos como positivos para o dólar, já que uma maior rentabilidade da dívida norte-americana, considerada investimento seguro, intensificaria o fluxo de recursos estrangeiros para o país.
Mesmo assim, a moeda norte-americana fechou este pregão longe das máximas do dia. Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset, disse que o mercado pode ter sentido algum alívio com a percepção de que não necessariamente o Fed começará a elevar os juros imediatamente depois de encerrar suas compras de ativos.
Além do Fed, investidores notaram movimento sazonal de saída de recursos do Brasil, o que ajudaria a explicar parte da valorização recente do dólar.
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“O final do ano tem uma sazonalidade ruim (para o câmbio); temos visto saídas de recursos principalmente do setor corporativo, pagamento de dividendos, isso acontece no último trimestre do ano, é um negócio normal”, disse a jornalistas nesta quarta-feira David Beker, chefe de economia no Brasil e estratégia para América Latina do Bank of America.
Segundo participantes do mercado, esses fatores sazonais ajudariam a explicar a presença mais firme do Banco Central no mercado de câmbio nos últimos dias.
Nesta quarta-feira, a autarquia vendeu 950 milhões de dólares em leilão de moeda estrangeira à vista, a terceira operação desse tipo em quatro sessões.
Sobre as perspectivas do dólar para o ano que vem, Beker afirmou enxergar potencial de apreciação do real devido ao maior retorno por diferencial de juros na esteira da alta da taxa Selic, atualmente em 9,25%.
Mas ele ressalvou que boa parte do comportamento do mercado de câmbio dependerá dos desdobramentos nas eleições presidenciais.
Vários especialistas têm mostrado apreensão com o desfecho da corrida presidencial em 2022, já que anos eleitorais tendem a aumentar a incerteza política e, consequentemente, intensificar a busca pela segurança do dólar.
Riscos na frente da atividade econômica também servem como obstáculos ao desempenho do real, depois de vários indicadores macroeconômicos surpreenderem para baixo nos últimos dias.
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Nesta quarta-feira, por exemplo, dados mostraram que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central-Brasil (IBC-Br) uma medida da evolução do ritmo de atividade no país caiu 0,40% em outubro sobre setembro, leitura pior que a baixa de 0,20% prevista por analistas em pesquisa da Reuters.
“Inflação de dois dígitos, juros em alta, o impacto de interrupções na cadeia de abastecimento no setor manufatureiro, ruído político elevado e a erosão da confiança do consumidor e de empresas estão gerando ventos contrários visíveis à atividade”, disse em relatório o chefe de pesquisa econômica do Goldman Sachs para a América Latina, Alberto Ramos.