Dólar cai a R$ 5,70 com tarifas de Trump e encerra março com recuo de mais de 3% ante o real

O dólar à vista (USDBRL) operou em compasso de espera pelas tarifas de importação dos Estados Unidos.
Nesta segunda-feira (31), a divisa norte-americana encerrou as negociações a R$ 5,7053, com queda de 0,98%.
O movimento destoou a tendência vista no exterior. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, subia 0,18%, aos 103.752 pontos.
No mês, o dólar acumulou queda de 3,57% ante o real.
O que mexeu com o dólar hoje?
O real ganhou força ante o dólar com a valorização das commodities no mercado internacional.
O contrato mais líquido do petróleo Brent — referência mundial — para junho subiu 2,76%, a US$ 74,77.
Países emergentes e exportadores de commodities, como o Brasil, foram impactados positivamente através do aumento dos preços das commodities.
No cenário doméstico, os investidores reagiram ao Relatório Focus. Os economistas consultados pelo Banco Central reduziram a projeção para câmbio a R$ 5,92 no final deste ano.
Em evento, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, disse que as expectativas de mercado para a condução da política fiscal podem explicar a desancoragem da inflação — hoje de 5,65% em 2025, de acordo com o Focus.
No exterior, o dólar também recuou na esteira dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, os Treasuries — em meio a um movimento de “risk-off” (fuga do risco).
As tarifas de importação dos Estados Unidos continuaram a elevar o temor pela escalada da guerra comercial e a proximidade do 2 de abril — chamado pelo presidente Donald Trump de “dia da libertação”.
Na data, as tarifas recíprocas para importações no território norte-americano serão anunciadas pelo chefe da Casa Branca e devem entrar em vigor.
Até agora, Trump já implementou tarifas de 20% sobre produtos chineses, tarifas de 25% nas importações de aço e alumínio e tarifas de 25% sobre mercadorias de Canadá e México que desrespeitem as regras de um acordo comercial da América do Norte.
Nas semanas anteriores, o presidente norte-americano ameaçou taxar em 25% os países que comprarem petróleo e gás natural da Venezuela.
Ele também prometeu tarifas de 25% sobre importações de automóveis, que devem entrar em vigor em 3 de abril.
*Com informações de Reuters