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Dólar deixa IPCA-15 de ‘escanteio’ e tem nova alta com tarifas de Trump; divisa fecha a R$ 5,75

27 mar 2025, 17:05 - atualizado em 27 mar 2025, 17:08
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O dólar à vista avança com tarifas de Trump no radar e aumento das incertezas; IPCA-15 mais fraco limitou a desvalorização do real (Imagem: REUTERS/Lee Jae-Won)

O dólar à vista (USDBRL) estendeu os ganhos pelo segundo dia consecutivo ante o real, em meio a incertezas tanto na política econômica do país quanto na comercial, com as tarifas de importações dos Estados Unidos no radar.

Nesta quinta-feira (27), a divisa norte-americana encerrou as negociações a R$ 5,7533, com alta de 0,36%. 



O movimento destoou a tendência vista no exterior. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, caía 0,25%, aos 104.298 pontos.

O que mexeu com o dólar hoje?

No cenário doméstico, os investidores acompanharam a divulgação de vários dados.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,64% em março, segundo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número indica uma desaceleração em relação à alta de 1,23% apurada em fevereiro — abaixo das expectativas do mercado. A projeção era de que o índice desaceleraria para 0,68% este mês e subiria para 5,30% no acumulado de 12 meses, segundo a mediana das estimativas coletadas pelo Money Times.

A prévia da inflação acumula alta de 1,99% no ano e de 5,26% em doze meses. No mês passado, esses números eram de 1,34% e 4,96%, respectivamente.

O acumulado do ano do IPCA-15 segue acima do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) em 2025. O alvo é 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para baixo ou para cima.

“O dado de hoje veio abaixo da expectativa e com qualitativo melhor do que o esperado. A surpresa baixista foi concentrada em industriais, disseminada entre os itens do grupo, sugerindo que o repasse da depreciação cambial pode ser menos intenso do que esperávamos”, disse Luciana Rabelo, economista do Itaú BBA.

O BC também atualizou suas projeções para a economia brasileira no Relatório de Política Monetária (RTM), antigo Relatório Trimestral de Inflação (RTI). A instituição prevê a inflação em 5,1% neste ano.

O BC também piorou sua estimativa de crescimento econômico do Brasil este ano de 2,1% para 1,9%. O Ministério da Fazenda prevê expansão de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) e o mercado, segundo a última pesquisa Focus, estima que a economia crescerá 1,98% em 2025.

Durante a coletiva de imprensa sobre o RTM, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Diogo Guillen, disse que a discussão de incerteza tornou-se relevante neste momento. “Como a gente colocou no comunicado, na ata, a discussão da incerteza de política econômica e, em particular, de política comercial”, afirmou.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, que também participou da coletiva, reafirmou que há segurança de que a taxa Selic está em nível contracionista e que a autoridade monetária seguirá dependente de dados nas próximas decisões.

“Entendemos que o ciclo precisa se estender, mas, devido às incertezas, em menor magnitude. A gente consegue informar um horizonte só até a próxima reunião sobre o que estamos pretendendo fazer, preservar esse grau de liberdade”, disse Galípolo.

Após os dados, os operadores passaram a precificar 78% de chance de uma alta de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros em maio, contra 22% de probabilidade de aumento de 0,75 ponto. Na véspera, a chance do aumento de menor magnitude estava em 62%.

Exterior

No exterior, as tarifas de importação dos Estados Unidos continuaram a elevar o temor pela escalada da guerra comercial. O presidente  Donald Trump anunciou taxas de 25% sobre carros importados, que devem entrar em vigor na próxima semana, juntamente com as tarifas recíprocas.

Hoje (27), a Casa Branca ainda informou que pretende aplicar uma sobretaxa a todos os bens importados do Brasil, sem exceções, caso decida incluir o país no tarifaço que promete anunciar em 2 de abril — o que renovou a força do dólar sobre o real. 

Uma autoridade da Casa Branca disse à Folha de S. Paulo que ainda não foi definido se o Brasil será ou não atingido pela política de tarifas recíprocas. Conforme essa autoridade, todo país que for “desleal” na sua relação comercial com os EUA sofrerá uma tarifa uniforme e individual sobre todos os seus bens. 

*Com informações de Reuters

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
liliane.santos@moneytimes.com.br
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter do MoneyTimes e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise politica da XP Investimentos.
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