Departamento de Justiça dos EUA abre investigação contra Binance por driblar sanções contra o Irã, diz reportagem
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) está investigando o uso da Binance pelo Irã para driblar sanções impostas pelos norte-americanos, segundo uma reportagem publicada nesta quarta-feira (11) pelo The Wall Street Journal.
O jornal informou que autoridades entraram em contato com pessoas que têm conhecimento de transações específicas, nas quais mais de US$ 1 bilhão teriam passado pela corretora em direção a grupos considerados terroristas e apoiados pelo Irã.
Segundo o WSJ, os oficiais estão entrevistando e reunindo evidências junto às fontes, embora o jornal não tenha conseguido determinar se a investigação mira a própria Binance ou clientes que utilizaram a exchange.
Vale citar que, no início desta semana, um tribunal federal dos Estados Unidos em Nova York rejeitou acusações contra a Binance com base na lei antiterrorismo do país.
Um porta-voz da Binance, citado na reportagem, afirmou que a corretora “categoricamente não realizou transações diretas com quaisquer entidades sancionadas” e que havia “descoberto um padrão sofisticado e multijurisdicional de atividade financeira”, no qual as ligações com o Irã foram “identificadas e sancionadas apenas depois que a Binance começou a investigar e agir em conjunto com as autoridades para desmantelar essa rede”.
A reportagem desta quarta-feira segue um relatório anterior do The Wall Street Journal que alegava que a Binance teria permitido cerca de US$ 1,7 bilhão em transações ligadas à evasão de sanções do Irã e da Rússia em sua plataforma.
Um relatório anterior da Fortune, citando múltiplas fontes e documentos internos, afirmou que a Binance teria demitido membros de sua equipe de compliance após surgirem evidências de que entidades ligadas ao Irã receberam mais de US$ 1 bilhão por meio da exchange entre março de 2024 e agosto de 2025.
Binance processa o Wall Street Journal
A Binance reagiu de forma contundente e entrou com uma ação judicial contra o The Wall Street Journal por “reportagens falsas e difamatórias” em uma matéria publicada em 23 de fevereiro, que alegava a demissão de funcionários da área de compliance.
Na semana passada, a Binance também negou ter violado sanções dos EUA contra o Irã em uma carta enviada ao senador Richard Blumenthal (Democrata de Connecticut), que abriu uma investigação sobre a exchange após as reportagens da imprensa sobre supostas violações.
Em comunicado à imprensa, o chefe global de contencioso da Binance, Dugan Bliss, afirmou que as reportagens do WSJ causaram “danos reputacionais significativos e consequências comerciais”. Ele acrescentou que o processo é um “passo necessário para nos defendermos contra desinformação” e responsabilizar o jornal por “priorizar cliques em detrimento da integridade jornalística”.
A exchange acrescentou que construiu “um dos maiores e mais robustos programas de compliance” da indústria cripto, apontando “melhorias mensuráveis”, incluindo o congelamento de centenas de milhões de dólares ligados a atividades ilícitas. Segundo a empresa, a exposição relacionada a sanções caiu 96,8% entre janeiro de 2024 e julho de 2025, enquanto a exposição direta às quatro principais exchanges de criptomoedas do Irã caiu 97,3% entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.