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Demanda mais fraca, estoques altos e menos caixa: Entenda o drama de Suzano e Klabin

20/09/2019 - 14:23
Goldman Sachs reduz recomendações e preços-alvo para as ações do setor (Imagem: Agência Brasil)

“Estamos mais cautelosos com o setor de papel & celulose”. A avaliação consta em relatório do Goldman Sachs desta sexta-feira (20), no qual os analistas Thiago Ojea e Lucas Canteras reduzem a recomendação para as ações de Suzano (SUZB3) e Klabin (KLBN11).

Para os papeis da Suzano, a recomendação foi cortada de compra para neutro. O preço-alvo é de R$ 35 – upside (potencial de valorização) de 6% conforme o último fechamento. Antes, a estimativa era de R$ 40.

Por sua vez, as ações da Klabin tiveram indicação reduzida de neutro para venda. O preço-alvo foi cortado de R$ 17 para R$ 14. Caso se confirme a estimativa, a ação poderá cair 9,9%. Ambas as estimativas são para doze meses.

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Menos Ebitda

O maior pessimismo do Goldman Sachs é justificado pelos seguintes fatores: demanda mais fraca diante das tensões entre China e EUA no comércio internacional; níveis jamais vistos de estoques, de 60% acima da média histórica; e perspectivas de deterioração do setor no longo prazo após anúncios de maior capacidade instalada da indústria como um todo.

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Pela maior cautela, Ojea e Canteras cortaram as projeções do Ebitda (geração operacional de caixa) de 2019 a 2021 tanto para a Klabin quanto para a Suzano.

No caso da Suzano, as estimativas para este ano foram reduzidas em 23%, assim como as de 2020. Em 2021, o Ebitda da companhia teve projeção cortada em 18%. Já para a Klabin, as reduções nas expectativas foi inferior, de 10%, 17% e 7% para o triênio de 2019 a 2021 – respectivamente.

Klabin
Tanto as ações da Suzano quanto as da Klabin são negociadas atualmente com múltiplos inferiores à média histórica de 5 anos (Imagem: Site da Klabin)

Preços inferiores

A redução nas estimativas de geração de caixa deve-se, na avaliação do Goldman Sachs, às projeções inferiores para a recuperação dos preços da celulose na China. De acordo com os analistas, a recuperação dos preços da commodity, em baixa desde 2018, é pior do que nos últimos ciclos de queda.

Os analistas calculam de cinco a seis meses para recuperação dos preços da celulose. Neste ciclo atual, ainda não se sabe se os preços atuais atingiram a mínima.

Mais pessimista

Por fim, o Goldman Sachs avalia que está relativamente mais pessimista do que o mercado em relação às projeções para o Ebitda e mostra que, nos níveis atuais, tanto as ações da Suzano quanto as da Klabin são negociadas atualmente com múltiplos EV/Ebitda (valor da empresa sobre geração operacional de caixa) inferiores à média histórica de 5 anos.

Última atualização por Gustavo Kahil - 20/09/2019 - 15:32