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“DeepSeek está sendo muito bom para a Nvidia (NVDA)”, diz diretor da empresa de chips após recorde nas receitas

28 fev 2025, 12:38 - atualizado em 28 fev 2025, 12:38
Em entrevista ao Money Times, o executivo comentou que mesmo a chegada do DeepSeek não é uma notícia ruim para a Nvidia.(Divulgação: Nvidia)

Quando Márcio Aguiar, hoje diretor da divisão Enterprise da Nvidia (Nasdaq:NVDA) para América Latina, começou na empresa em 2010, as receitas somavam pouco mais de US$ 3,5 bilhões — metade desse valor, em um determinado ano posterior, veio do fato da empresa vencer uma disputa judicial contra a Intel, no valor de US$ 1,5 bilhão

Um salto de 15 anos depois, as receitas da Nvidia superaram as expectativas do mercado no mais recente balanço, atingindo os US$ 39,33 bilhões, o que representa um crescimento de quase 80% em 12 meses.



E Márcio Aguiar, diretor da America Latina, afirma que a perspectiva é de uma demanda cada vez maior pelos poderosos chips e infraestrutura moderna da empresa. 

Em entrevista ao Money Times, o executivo comentou que mesmo a chegada do DeepSeek não é uma notícia ruim para a Nvidia.

“Muita gente acha que aquilo [a chegada do DeepSeek] foi ruim para a Nvidia. Pelo contrário: está sendo muito bom, porque a DeepSeek veio ao mercado com uma nova técnica de treinamento de modelo de linguagem”, comenta Aguiar sobre a arquitetura Mixture of Experts (MoE) e o Multi-head Latent Attention (MLA), que otimizaram os recursos da startup para o lançamento do chatbot.

O próprio Itaú BBA lançou um relatório dizendo que o DeepSeek terá um impacto positivo de longo prazo para a Nvidia, apesar das preocupações iniciais dos investidores.

O futuro da Nvidia (NVDA) é promissor?

Apesar do balanço majoritariamente positivo, as projeções (guidance) são conservadoras para o primeiro trimestre de 2025.

A Nvidia espera que a receita fique na faixa dos US$ 43 bilhões (podendo ter uma variação percentual de 2% para cima ou para baixo), menor do que as expectativas do mercado.

Isso gerou preocupações sobre uma possível desaceleração no crescimento da demanda por chips e data centers. Para Aguiar, os problemas não estão na empresa, mas sim no cenário macroeconômico

“Nós estamos diante de várias incertezas políticas. O presidente Trump está discutindo impor tarifas a diversas nações, uma nova lei do fim da administração Biden que restringe a venda de GPUs para centenas de países, enfim, todas essas coisas inspiram cautela”, comenta, citando ainda as restrições impostas à China sobre produtos relacionados à inteligência artificial de ponta. 

No longo prazo, explica, as restrições não devem afetar as receitas da Nvidia. Isso porque outros países — inclusive o Brasil — devem absorver a demanda chinesa. “Antes, quem esperava meses para receber seus hardwares por causa do alto consumo da China, agora vai esperar bem menos”. 

Mesmo assim, o executivo da Nvidia comenta que o crescimento das receitas deve continuar impulsionado pela demanda por IA e data centers.

Quando questionado se a empresa realmente traria um novo aumento expressivo nas receitas em 2025, Aguiar ri. “O chefe já chegou dizendo: ‘pode contar com mais 100% nisso aí’, e nós dissemos: ‘ok, vamos nessa’”, diz. 

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É editor-assistente do Money Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, estuda ciências econômicas na São Judas. Atuou como repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
renan.sousa@moneytimes.com.br
É editor-assistente do Money Times. Formado em jornalismo pela ECA-USP, estuda ciências econômicas na São Judas. Atuou como repórter no Seu Dinheiro, Editora Globo e SpaceMoney.
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