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Danske Bank, o maior dinamarquês, lava mais de US$200 bi: o que as criptomoedas têm a ver?

Leandro França de Mello - 17/10/2018 - 17:42

Por Leandro França de Mello, editor da Cryptowatch

Há poucos dias, o Wall Street Journal, como divulgamos na nossa conta no Instagram, alegou que a Shapeshift, um dos maiores players do mercado de cryptomoedas, estava sendo acusado por possível lavagem de dinheiro. O que foi prontamente negado e rechaçado por Erik Voorhees, CEO da Shapeshift no Twitter e no blog da empresa.

Depois que hackers da Coréia do Norte extorquiram milhões de dólares no ataque do ransomware WannaCry contra empresas e governos, os criminosos usaram o ShapeShift para converter o Bitcoin em Monero, por não ser rastreável, de acordo com pesquisadores de segurança ouvidos pelo WSJ. No ano seguinte, a ShapeShift não fez mudanças em sua política de não identificar seus clientes e continuou processando milhões de dólares em procedimentos criminais, de acordo com a investigação do Wall Street Journal.

Foram processados algo em torno de US$89 milhões em operações ditas suspeitas em diversas exchanges mundiais, desse volume US$9 milhões aproximadamente, foram parar na Shapeshift e só a Binance rodou cerca de US$22 milhões de dólares em dinheiro suspeito, afirma o WSJ.

A Shapeshift se defende dizendo que não é nada disso, e há poucas semanas, passou a identificar seus clientes para afastar de si, os escrutínios dos agentes da lei dos EUA. Vejam como funcionava uma parte do esquema, utilizando-se da base da Shapeshift:

Veja como a trilha do dinheiro foi disfarçada em um exemplo que o Journal atribuiu à ShapeShift. Uma entidade, conhecida como Starscape Capital, arrecadou quase US$ 2,2 milhões de investidores que receberam promessas de retornos extraordinários. Como todo ICO que se preze, os investidores pagaram a Starscape com Ethereum e em parte em Bitcoin. O site da Starscape logo logo saiu do ar, e os investidores começaram a reclamar on-line sobre o dinheiro que sumira.

Mas antes de sumirem, eles enviaram milhões de dólares em Ethereum para a Shapeshift e à Kucoin. A mesma exchange que anda sendo acusada de scam por clientes na Ásia.

A KuCoin disse que monitora transações suspeitas e congela contas durante as investigações, mas se recusou a comentar sobre o caso da Starscape. Outros US$517.000 foram diretamente para à ShapeShift, que trocou pelo Monero. Nesse ponto, a trilha desapareceu.

O Monero poderia então ser negociado por bitcoins limpos ou vendido por moeda fiat, de forma não rastreável. Os fundadores da Starscape não foram identificados.

A situação da Shapeshift tem sido muito ruim e altamente suspeita pelas autoridades, pois muitas das transações feitas na plataforma são de câmbio para o Monero.

Entre fevereiro e agosto de 2018, 7% das transações realizadas na plataforma da Shapeshift foram câmbio de moedas para Monero.

 

O caso dinamarquês na Estônia

A questão que vem à tona nesse momento é que o Danske Bank com sua filial na Estônia, lavou nada menos que US$200 bilhões. Praticamente o valor de mercado do Bitcoin. Ninguém aqui está defendendo a lavagem de dinheiro e sim, muito provavelmente, as exchanges com volumes altíssimos de negociação são o palco perfeito para lavagem de dinheiro. Principalmente a Binance, que não cobra nenhum documento do usuário, para este iniciar qualquer atividade de trade na plataforma deles.

Contudo, é importante separar as coisas pelo seu tamanho e importância. A Europol há poucos dias, como também divulgamos em nosso perfil no Instagram, liberou um relatório afirmando que a forma essencial e mais fácil de se lavar dinheiro, continua sendo o dinheiro fiat.

A verdade é que nada supera o próprio sistema bancário e o dinheiro fiat como meio principal e escolhido para se lavar dinheiro no mundo. O caso atual do Danske é tão grave que o volume lavado rivaliza com o PIB estoniano.

A questão é que muitas das contas de não residentes registradas no Dansken na Estônia estavam em nome de pessoas e entidades russas, que é o principal alvo das sanções americanas.

O descolamento dos valores movimentados no país fica claro ao considerar que entre 2008 e 2017 as transações feitas por bancos na Estônia superou US$ 1 trilhão, enquanto o Produto Interno Bruto no pais no ano passado beirou os US$ 23 bilhões.

São números que revelam os riscos de uma potencial lavagem de dinheiro na Europa, à medida que um escândalo crescente levanta questões sobre o papel da Estônia em favorecer a fuga de capitais russos. Quase a metade desse total, US$ 400 bilhões, estava na forma de transações em dólar.

É importante frisar que a Estônia é sede de centenas de ICO’s, muitas delas de origem russa. Se começarem a mexer nisso pode sair cobras e lagartos desse vespeiro.

Contudo, as cryptomoedas nem arranham os esquemas de lavagem de dinheiro como veremos nos dados abaixo:


Se a Shapeshift lavou dinheiro, o que é um fato grave e deverá ser apurado, ainda estamos falando de um montante de US$9 milhões em 2 anos. Enquanto os bancos são capazes de lavar quase US$3 bilhões em um dia.
Quem quiser uma “aula” de lavagem de dinheiro é assistir a série Ozarks na Netflix. Como é fácil usar negócios reais, no qual pode-se cobrar o quanto se quiser, como é o caso de uma casa de show, criar um movimento absurdo por noite, meter umas notas frias e misturar o dinheiro a ser lavado ao caixa. Depois é depositar na conta bancária e voilà: temos dinheiro limpo na conta.

Claro, caros leitores que estou sendo reducionista na minha exposição e nem estou aqui dando tutorial de como se lavar dinheiro. Há esquemas muito complexos de lavagem e outros muito simples, como esse citado na série. A verdade é que as cryptomoedas não são o esquema principal desses esquemas criminosos.
Jóias, quadros, obras de arte e selos

Jóias, quadros, obras de arte e selos são os principais meios de se lavar dinheiro no mundo. Haja visto o quanto de jóias Sérgio Cabral comprava de jóias nas joalherias do Rio de Janeiro. Leia mais aqui. Quem não lembra do imenso acervo de arte do dono do antigo Banco de Santos, Edemar Cid Ferreira.

Selos são outro exemplo de dinheiro sendo portado nos bolsos. Há selos que chegam a custar R$5 milhões! Leia mais aqui. Pode-se simplesmente pô-lo dentro de um livro e pegar um voo para qualquer canto do mundo, desembarcar, passar pela alfândega e vendê-lo no mercado especializado sem ninguém perceber.

Claro que também pode-se carregar bilhões de dólares no bolso usando um trezor, realizar viagens intercontinentais, passar pela alfândega e voilà. Mas para isso são outros 500, como dizia meu avô.

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