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Cosan (CSAN3): O que fazer com ações da holding após prejuízo de R$ 9,3 bilhões?

27 fev 2025, 11:19 - atualizado em 27 fev 2025, 16:03
cosan csan3
(Foto: Divulgação)

As ações da Cosan (CSAN3) subiam 0,43% nesta quinta-feira (27) mesmo após a empresa reportar um prejuízo líquido não auditado de R$ 9,3 bilhões no 4T24. A XP Investimentos continua recomendando a compra do papel, com um preço-alvo de R$ 18,50 (potencial de alta de 163,53%).

O mercado já saiba em linhas gerais o que esperar da empresa porque a maior parte das companhias da holding já haviam divulgado seus números, mas a XP destacou que o balanço trouxe entre as novidades um Ebitda 19% menor que o esperado para Moove e melhores resultados para Radar, dado a forte valorização do portfólio (R$ 405 milhões de valorização para Cosan).

Antes da divulgação da Cosan, a Raízen havia reportado resultados fracos. Os resultados da Rumo foram fortes, em linha com a expectativa da XP. A Compass foi sólida, mas ligeiramente abaixo da expectativa. 

“A dívida corporativa da Cosan aumentou em R$1,9 bilhões em relação ao trimestre anterior, totalizando R$32 bilhões (incluindo o valor de resgate das ações preferenciais) no final do 4T24. A posição da dívida não considera o valor das ações da Vale (posteriormente desinvestidas por R$9,1 bilhões), portanto, a alavancagem deve diminuir no próximo trimestre”, veem 



Já o índice de cobertura de juros da Cosan nos últimos 12 meses (LTM) ficou em 1,1x no 4T24. Para XP, esse índice deve piorar nos próximos trimestres, à medida que as taxas de juros mais altas impactam os resultados financeiros tanto das companhias operacionais quanto do serviço da dívida da holding.

CSAN3: Visão do Itaú BBA e Empiricus Research

Itaú BBA viu números neutros, em linha com suas estimativas e 5% abaixo frente ao último trimestre. O banco destaca a queda de 21% nos números da Moove frente suas estimativas e 17% abaixo do consenso. Os analistas contam com uma recomendação de compra e preço-alvo de R$ 20 (potencial de alta de 185,7%).

Já a Empiricus Research enxergou uma performance aquém do esperado, com uma queda de 16% no comparativo anual para o Ebitda sob gestão, que ficou em R$ 7,6 bilhões.

“Deduzindo as despesas operacionais e financeiras da holding, além do prejuízo de R$ 4,7 bilhões na venda de participação na Vale, a linha final foi negativa em R$ 9,3 bilhões. Excluindo os efeitos não recorrentes, que incluem não só Vale mas, também, ajustes em Rumo e tributários, o prejuízo líquido ajustado foi de R$ 1,6 bilhão, também revertendo o lucro do 4T23”, explica Larissa Quaresma. 

Segundo a Empiricus Research, em termos de geração de caixa, a Cosan recebeu R$ 1,0 bilhão em dividendos, sendo a maior parte da Compass, e pagou R$ 1,3 bilhão em juros, despesas operacionais e pagamento de aquisições passadas, queimando R$ 279 milhões no trimestre.

Com isso, a alavancagem, medida pelo índice dívida líquida/Ebitda, subiu de 2,6x para 2,9x sequencialmente, e o índice de cobertura de juros caiu de 1,2x para 1,1x.

Para Quaresma, a Cosan tem dado bons passos para lidar com o desafio de alavancagem da holding, a partir de questões como troca de gestão na Raízen, venda da participação na Vale em janeiro, com consequente rolagem da dívida da holding e novas vendas de fazendas na Radar no 4T24

“Acreditamos que a companhia está no caminho correto para corrigir os problemas, embora os resultados, provavelmente, levem alguns trimestres para aparecer. Negociando a um desconto de holding superior a 50%, entendemos que o valuation nos dá espaço para esperar; por isso, mantemos a recomendação de compra em Cosan”. 

Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, também participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil e do Agro em Campo. Em 2024, ficou entre os 80 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
pasquale.salvo@moneytimes.com.br
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, também participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil e do Agro em Campo. Em 2024, ficou entre os 80 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.