Cartões de Crédito

Com investimento para extinguir senhas, Mastercard busca manter liderança no Brasil tendo Pix como ‘concorrente’

03 abr 2025, 7:30 - atualizado em 03 abr 2025, 7:34
Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard Brasil (Foto: Divulgação)

Há muito tempo, nas grandes cidades brasileiras, ao parar o carro em um semáforo, encontramos pessoas vendendo produtos dos mais diversos. Porém, nos últimos anos, essa modalidade de comércio aderiu ao Pix, e até mesmo às maquininhas de cartão.

Nesse cenário, os dados mais recentes do Banco Central mostram que os meios eletrônicos de pagamento, que incluem Pix e cartões, respondem por 85% de todas as transações comerciais feitas no Brasil.

São cerca de 125 milhões de pagamentos com cartões feitos por dia, com um volume de R$ 4,1 trilhões em todo o ano de 2024, segundo balanço da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). E a Mastercard (MSCD34) responde por quase 60% desse volume total, incluindo cartões de crédito, débito e pré-pago.

O presidente da Mastercard no Brasil, Marcelo Tangioni, afirma que o Brasil está entre os países mais importantes para a Mastercard. E ele não pretende largar essa posição.

“Nós ficamos entre o segundo e o terceiro maior mercado do mundo para a Mastercard. Nós temos o Pix como um ‘concorrente’, mas trabalhamos para oferecer aos usuários benefícios como acúmulo de milhas, entre outros”, diz Tangioni.

Para tentar estimular o uso de cartão pelos usuários, a Mastercard aposta na tecnologia que vai acabar com o uso de senhas numéricas para finalizar as compras.

“A senha foi criada para dar segurança, mas traz muitos problemas. As pessoas anotam para não esquecer, perdem o papel. Quando esquecem, há todo um trabalho para fazer uma nova. Então queremos facilitar e realmente tornar mais seguras as transações com cartões”, afirma o presidente da Mastercard Brasil.

A criação da estrutura está em andamento, e a Mastercard conta com a parceria de empresas de tecnologia e das chamadas adquirentes, que são as empresas donas das máquinas de cartão, para colocar o pagamento via biometria nas lojas até 2030.

Questionado sobre eventuais dificuldades de infraestrutura em algumas regiões do país, Tangioni sustenta que a indústria de cartões já possui uma base bem sólida, mesmo em lugares mais afastados.

“Hoje, em qualquer lugar do Brasil, você consegue fazer uma compra com cartão. O que vamos fazer é utilizar essa estrutura já muito bem consolidada para levar a biometria para essa grande rede”.

O Brasil é o primeiro país da América Latina onde está sendo implementada a tecnologia chamada de Passkey. Com ela, o usuário pode autenticar suas compras online com a digital, reconhecimento facial ou um PIN, código numérico gerado no celular.

As compras online giraram R$ 945,7 bilhões somente com cartões de crédito no quarto trimestre de 2024, um crescimento superior a 18% em um ano.

De olho no B2B

Outro segmento no qual a Mastercard Brasil começou a atuar no ano passado é o de empresas, conhecido como B2B, já que trata de soluções oferecidas para outras corporações.

Segundo Tangioni, o produto voltado para as empresas permite um maior controle e uma simplificação dos gastos realizados com cartões corporativos.

“A empresa pode gerar um cartão virtual para uma finalidade específica, e por um prazo determinado. Por exemplo, um funcionário encarregado de comprar materiais vai ter acesso a esse cartão virtual, e depois da operação, o cartão deixa de existir”.

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O executivo não pode abrir números sobre a carteira de clientes que a Mastercard já tem nesse segmento. Mas ele admite que, assim como acontece com o mercado em geral, a indústria de cartões ainda tem uma participação muito pequena entre os meios de pagamento das empresas.

“A receptividade tem sido muito boa. Mas ainda temos um caminho longo pela frente até ter mais relevância, e até esse mercado ter maior participação nas nossas receitas”.

Resultados globais robustos

A Mastercard Incorporated registrou lucro líquido de US$ 3,3 bilhões no quarto trimestre de 2024, avanço de 22% no modelo que retira os efeitos cambiais. Em todo o ano passado, os ganhos da multinacional foram de US$ 12,9 bilhões, avanço de 17% ante 2023.

As receitas entre outubro e dezembro do ano passado somaram US$ 7,5 bilhões, número 16% maior que no mesmo período de 2023. Em 2024, a receita líquida foi de US$ 28,2 bilhões, avanço de 13%.

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Editor-Chefe do Money Times
Jornalista formado na Unesp, tem 20 anos de experiência na profissão e atualmente é editor-chefe do Money Times, com passagens por DCI, Gazeta Mercantil, Agência Estado/Broadcast, Seu Dinheiro, TC Mover e Folha de S. Paulo
renato.carvalho@moneytimes.com.br
Jornalista formado na Unesp, tem 20 anos de experiência na profissão e atualmente é editor-chefe do Money Times, com passagens por DCI, Gazeta Mercantil, Agência Estado/Broadcast, Seu Dinheiro, TC Mover e Folha de S. Paulo
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