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Com US$ 20 bilhões e “ajudinha” de brasileiro, grupo Asahi cria império da cerveja

Bloomberg - 01/11/2019 - 11:23
Asahi CEO Akiyoshi Koji Cervejas
CEO da Asahi Group Holdings, Akiyoshi Koji está dobrando as apostas no mercado de cerveja como estratégia de sobrevivência (Imagem: Kentaro Takahashi/Bloomberg)

O empresário com maior apetite por aquisições no Japão em 2019 tem uma coisa em mente: cerveja e mais cerveja, com investimento superior a US$ 20 bilhões nos últimos quatro anos.

Não importa que as pessoas estejam bebendo menos globalmente: a expectativa é de que o consumo mostre pouco ou nenhum crescimento nos próximos anos. Além disso, outras cervejarias tentam diversificar as operações. Mas o CEO da Asahi Group Holdings, Akiyoshi Koji, está dobrando as apostas no mercado de cerveja como estratégia de sobrevivência.

“Estamos expandindo com o objetivo de ser o número 1 no segmento de cerveja premium em todas as áreas geográficas em que temos negócios”, disse Koji, 67 anos.

“O mundo é o nosso mercado”, acrescentou em entrevista. A outra obsessão do CEO é tornar a Super Dry, que estreou no final dos anos 80 e ajudou a transformar a Asahi na maior cervejaria do Japão, em uma marca global de cerveja.

Enquanto outros grandes fabricantes de cerveja se deslocam para regiões de alto crescimento, como China e Sudeste Asiático, ou exploram negócios potencialmente lucrativos, como produtos derivados de cannabis, a Asahi está em meio a uma onda de compras de cervejarias em todos os cantos do mundo, mais recentemente na Europa e na Austrália.

Cervejas Asahi
Asahi está em meio a uma onda de compras de cervejarias em todos os cantos do mundo, mais recentemente na Europa e na Austrália (Imagem: Facebook da Asahi)

Koji tem sido a força motriz por trás de mais de US$ 20 bilhões em aquisições nos últimos quatro anos – incluindo a maior compra já realizada em julho, quando a empresa pagou US$ 11 bilhões pela cervejaria Carlton & United Breweries, com sede em Melbourne.

As aquisições quase dobraram o valor de mercado da Asahi e a colocaram entre as maiores fabricantes de cerveja do mundo em menos de cinco anos.

A onda de compras provocou ceticismo entre analistas. Em dois negócios fechados com a Anheuser-Busch InBev – ativos da Europa Central e Oriental em 2017 e marcas australianas como Victoria Bitter no início do ano -, a empresa pagou cerca de 15 vezes o Ebitda, de acordo com cálculos da Bloomberg.

A mediana para nove aquisições de cervejarias anunciadas em todo o mundo nos últimos cinco anos é de apenas 10 vezes o Ebitda.

Koji, que começou a trabalhar na Asahi há 44 anos como assalariado, cita frequentemente a Heineken como o tipo de cervejaria global que a Asahi aspira ser. Mas a Heineken entrou nos mercados globais décadas atrás, quando o apetite por cervejas importadas e exóticas estava em alta.

Agora, consumidores mais jovens preferem cervejas artesanais locais e bebidas com menos calorias, ou até optam por bebidas com maconha para relaxar, sem ressaca. É por isso que a Euromonitor prevê que o volume de consumo de cerveja crescerá a uma taxa média anual de apenas 1,4% nos próximos cinco anos.

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“A grande maioria dos mercados maduros está atingindo os limites do potencial de crescimento”, disse Spiros Malandrakis, chefe de pesquisa de bebidas alcoólicas da Euromonitor. “Acho que a era das megamarcas globais que podem manter o valor da marca por longos períodos desaparecerá com a geração dos millennials.”

Koji diz que o segmento premium – cervejas com preços mais altos – ainda tem espaço para crescer em comparação com o setor em geral. A consolidação é a única maneira de se expandir em uma indústria global de cerveja já madura, argumentou, observando que o valor pago pela Carlton & United “não foi tão caro”, considerando o crescimento da população no continente.

Uma razão pela qual a Asahi conseguiu comprar tantas marcas famosas de cerveja é a disposição do CEO de tomar decisões rápidas. Ele também criou um canal com o presidente da AB InBev, Carlos Brito, que tem vendido ativos para reduzir o endividamento.

Koji afirma que a Asahi pode crescer em casa e no exterior. Seu foco no Japão é melhorar a rentabilidade, em vez de tentar aumentar o consumo em um país onde a população em declínio se traduz em menor número de pessoas que tomam bebidas alcoólicas.

Última atualização por Gustavo Kahil - 02/11/2019 - 15:41