Últimas Notícias Cotações Governo Bolsonaro Comprar ou Vender Empresas Economia
Cotações por TradingView
Cotações por TradingView

Cirurgiões não devem se parecer com cirurgiões

Opinião - 21/07/2018 - 17:52

Por Inva Capital

Digamos que você precisa fazer uma cirurgia. O hospital escolhido tem dois profissionais da área com a mesma experiência e nível hierárquico.

O primeiro deles tem uma aparência refinada, usa óculos estilosos, está em forma, fala bem e faz gestos elegantes. Seu cabelo é grisalho e bem arrumado. Ele é a pessoa que você colocaria em um filme como um cirurgião. Seu consultório tem na parede um diploma da melhor univesidade e ele fez residência no melhor hospital.

O segundo parece um açougueiro. Ele está acima do peso, tem mãos grandes, fala errado e não cuida da aparência. A camisa dele está para fora da calça e nem o melhor alfaiate conseguiria fazer sua camisa abotoar no pescoço. Ele tem um dente de ouro e sotaque do inteiror. No seu consultório, não há diplomas na parede – o que mostra falta de orgulho em sua educação.

Qual cirurgião você escolheria?

A vinheta do início deste Plano de Voo não foi criada por mim (obviamente). Seu idealizador é Nassim Taleb, autor do Cisne Negro. De acordo com ele, a escolha certa é o cirurgião “açougueiro”. Se alguém que não parece pertencer a alguma profissão, teve uma educação menos refinada e diversas outras dificuldades para ser bem sucedido, essa pessoa deve ser muito boa no que faz.

Mas esse exercício mental não é somente algo téorico! Oleg Chuprinin e Denis Sosyura fizeram um estudo (Family Descent as a Signal of Managerial Quality: Evidence from Mutual Funds) e descobriram que os gestores de fundos que vieram de famílias menos favorecidas têm mais sucesso que suas contrapartes mais ricas. O raciocínio é o mesmo do exemplo de Taleb: se alguém nasceu pobre, teve todas as dificuldades na vida, enfrentou preconceitos para conseguir emprego numa indústria que valoriza a riqueza e, mesmo assim, conseguiu ser bem sucedido, a pessoa deve ser muito boa.

Lembre-se disso quando aquele corretor (de seguro, ações, imóveis, etc.), “banker”, “consultor” de cabelo lambido, terno, gravata com nó perfeito e sapato brilhando tentar te persuadir a fazer algo.

Leia mais sobre: Inva Capital, Opinião
Últimas Notícias