Quer saber o que comprar agora na Bolsa? Receba as melhores dicas do Brasil

Cotações por TradingView
Cotações por TradingView

Cepea: Desafios da comercialização do milho no Brasil

Opinião - 07/06/2019 - 17:30
(Imagem: Elza Fiúza/Agência Brasil)

Por Cepea

Antecipar tendências de preços de milho no Brasil não é tarefa fácil. As condições de oferta e demanda regionais prevalecem no processo de formação de preços deste cereal, o que, por sua vez, faz com que os valores não apresentem a mesma tendência entre as diferentes praças produtoras do País.

Esse contexto impõe um grande desafio aos diferentes agentes que operam neste mercado. Vale lembrar que o milho é um insumo de grande importância para outras cadeias produtivas, amplamente utilizado como ração animal, nas indústrias alimentícia, química, farmacêutica, de papéis, têxtil, matéria-prima para produção de biocombustíveis, entre outras agroindústrias.

Diante da importância do cereal para os custos e, portanto, a rentabilidade de produtores e agentes das diferentes cadeias produtivas, a necessidade de gerenciar os riscos em termos de oscilação indesejada de preço é evidente.

Em comparação à soja, as condições internacionais têm peso menor – porém crescente – no mercado de milho. Isso ocorre porque, no caso da oleaginosa, as transações internacionais do grão e dos derivados representam cerca de 2/3 da produção mundial. No milho, as transações internacionais do cereal representam menos de 15% da produção mundial. Assim, para que choques de preços internacionais sejam repassados entre países, na prática, é preciso que as transações ocorram e isto pode demorar algumas semanas ou até meses.

Chegou a nova newsletter Comprar ou Vender

As melhores dicas de investimentos, todos os dias, em seu e-mail!

No mercado interno, os principais fundamentos que corroboram as diferenças regionais de preços são custos do transporte, tributação complexa, valores nos portos, ritmo de exportação, estoques, clima e o descompasso entre a oferta e a demanda em diferentes momentos do ano.

Nesse sentido, para melhor entendimento de preços regionais, é importante que os agentes considerem os períodos de safra e entressafra e também as movimentações verificadas em anos anteriores (sazonalidade). Tendo em vista as incertezas na produção e comercialização, é importante garantir, de forma antecipada, o preço de venda ou de compra para uma parte da produção ou de consumo.

Como nos últimos anos a taxa de crescimento da oferta tem sido maior do que a de consumo interno, puxada principalmente pela segunda safra, há geração de excedentes, que precisam ser exportados. Com isso, atualmente, o mercado brasileiro tem maior relação com o internacional e agentes passam a buscar uma interação entre as cotações externas e internas.

Nesse contexto, as exportações passaram a exercer maior influência sobre as cotações domésticas, principalmente no segundo semestre, quando a disponibilidade interna é maior. Neste ano, especificamente, as recentes disputas comerciais entre Estados Unidos e China e dificuldades no semeio norte-americano tendem a favorecer as exportações brasileiras e, consequentemente, a impulsionar as cotações domésticas.

Uma referência importante no mercado de milho é o Indicador ESALQ/BM&FBovespa, que tem como base a região de Campinas (SP), e é utilizado na liquidação financeira de contratos futuros negociados na B3. Na Bolsa, agentes podem fixar o preço de venda (ou compra), ao utilizar o contrato futuro. Vale ressaltar que os contratos de milho são de liquidação financeira, o que significa que as posições em aberto, após o encerramento do pregão do último dia de negociação, serão liquidadas pela B3 na data de vencimento, pela média aritmética dos últimos três dias (incluindo o dia de vencimento) do Indicador ESALQ/BM&FBovespa. Via contrato futuro, o produtor e/ou o demandante podem fixar o preço de venda e/ou de compra, como forma de proteção das oscilações.

Leia mais sobre: Agronegócio, Cepea, Commodities, Milho

Última atualização por Vitória Fernandes - 07/06/2019 - 17:55