Carrefour (CRFB3) dispara mais de 11% com aumento do prêmio para fechar capital; Santander vê 3 caminhos para os minoritários

As ações do Carrefour (CRFB3) dispararam 11% apenas na primeira hora de pregão desta sexta-feira (4), em dia amargo para o Ibovespa (IBOV), que cai quase 3%, com a maioria dos ativos que compõem o índice também no vermelho.
O principal motivo para a forte valorização das ações da varejista é o anúncio do aumento no preço oferecido por ação na oferta pública de aquisição (OPA) para fechamento de capital. O Carrefour França elevou a proposta de R$ 7,70 para R$ 8,50 por ação, aumentando, assim, o prêmio para os acionistas.
- E MAIS: Junte-se à comunidade de investidores do Money Times para ter acesso a reportagens, coberturas, relatórios e mais; veja como
O novo valor representa um prêmio de 46,2% sobre o preço médio ponderado por volume (VWAP) das ações no último mês antes de 10 de fevereiro de 2025 e de 39% em relação ao VWAP dos três meses anteriores à mesma data.
CRFB3 encerrou a sessão com alta de 10,77%, a R$ 8,23. Na máxima do dia, os papéis da varejista subiram 11,71% (R$ 8,30). Acompanhe o tempo real.
A deslistagem do Carrefour Brasil
O Carrefour França, controlador da varejista de alimentos, anunciou ao mercado em fevereiro o lançamento de uma oferta para fechar o capital da subsidiária brasileira.
O controlador quer transformar a companhia em uma subsidiária integral, tendo assim 100% do capital da brasileira. Hoje, a holding possui uma participação próxima de 70% da varejista, segundo dados da B3.
A votação da proposta estava marcada para a próxima segunda-feira (7), no entanto, houve remarcação para o dia 25 de abril, de maneira que os acionistas possam absorver a mudança.
O movimento do Carrefour ocorre após dois acontecimentos relevantes, um favorável ao grupo francês que busca fechar o capital da divisão brasileira e transformá-la em uma subsidiária integral, e outro voltado para os minoritários rejeitarem a oferta anterior para isso.
De um lado, as empresas de votação por procuração Glass Lewis e ISS aconselharam os acionistas do Carrefour Brasil a votarem contra a proposta de fechamento de capital da empresa.
Do outro, a Península, gestora da família Diniz, passou por uma reorganização e reduziu sua participação na rede de varejo para menos de 5% e o percentual de ações livres para votar na deliberação subiu para 27,6%, dando mais força à aprovação.
A relação de troca proposta pelo acionista controlador para o resgate das ações abrange três opções que, com a mudanças, ficaram da seguinte forma:
- Classe A: pagamento em dinheiro de R$ 8,50 para cada ação;
- Classe B: pagamento em dinheiro de R$ 4,25 + ações do Carrefour França;
- Classe C: 100% de ações do Carrefour França.
Carrefour França quer fazer a OPA acontecer
Na avaliação do Santander, ao aumentar em cerca de 10%, o Carrefour evidencia sua disposição em fechar o capital da divisão brasileira.
Os analistas Ruben Couto, Eric Huang e Vitor Fuziharo destacam o timing do anúncio, após a indicação de que os acionistas minoritários se posicionassem contrários à proposta anterior.
“Com esse novo desenvolvimento, e apenas cerca de 8% dos acionistas minoritários garantidos para votar a favor da oferta, acreditamos que os acionistas minoritários que se opõem à oferta podem ter uma oportunidade de maximizar seu potencial de alta”.
Para um acionista minoritário que se opõe à oferta, os analistas projetam três resultados:
- Se a oferta for aprovada, eles recebem R$ 8,50 em dinheiro;
- Se a oferta não for aprovada, o Carrefour aumenta sua oferta;
- Ou o Carrefour decide desistir da oferta, e o acionista provavelmente obterá pelo menos a valorização acumulada no ano de 37% (ante alta de 9% do Ibovespa) com potencial para maior valorização se o CRFB3 alcançar a valorização de preço do seu concorrente Assaí (ASAI3), de 50% no acumulado do ano.
Para os analistas Pedro Pinto, do Bradesco BBI, e Flávia Meirelles, da Ágora Investimentos, os novos termos parecem uma forma de tentar reduzir a incerteza sobre uma potencial rejeição da proposta, além de oferecer um ganho mais alinhado com o recente desempenho positivo das ações.
Já a XP Investimentos atualizou seu preço-alvo para o final de 2025 para R$ 8,50.
“Em nossa visão, a ação não negociará mais com base em fundamentos e, em vez disso, provavelmente será negociada mais próxima da proposta em dinheiro de R$ 8,50”, dizem os analistas Daniella Eiger, Gustavo Senday e Laryssa Sumer.