Carrefour Brasil (CRFB3): Acionistas minoritários podem conseguir aumento no prêmio em OPA para fechamento de capital

O prêmio oferecido pelo Carrefour França para o fechamento do capital do Carrefour Brasil (CRFB3) — ou Atacadão — não agrada os acionistas minoritários e, às vésperas da assembleia que deve determinar os próximos passos dessa história, novos desdobramentos se somam ao cenário.
Segundo informações do Valor Econômico, as empresas de votação por procuração Glass Lewis e ISS aconselharam os acionistas do Carrefour Brasil a votarem contra a proposta de fechamento de capital da empresa.
As companhias argumentam que a avaliação proposta subestima significativamente o valor justo do Carrefour Brasil, observando que a oferta pública foi feita dentro das mínimas históricas da CRFB3.
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Na avaliação do Santander, o movimento é um desenvolvimento positivo para os acionistas de CRFB3. Os analistas argumentam que as recomendações das empresas de votação por procuração são frequentemente seguidas por investidores internacionais, que compõem a maioria da base de acionistas.
“Consequentemente, se o Carrefour França decidir buscar a deslistagem do Carrefour Brasil, provavelmente terá que aumentar o prêmio oferecido aos acionistas minoritários. Para que a oferta pública seja aprovada, a maioria simples dos acionistas minoritários deve votar a favor dela”, ponderam.
A relação de troca proposta pelo acionista controlador para o resgate das ações abrange três opções:
- Classe A: 100% em dinheiro, com pagamento de R$ 7,70 por ação;
- Classe B: dinheiro (R$ 3,85) mais ações do Carrefour França;
- Classe C: 100% de ações do Carrefour França.
A proposta oferece aos acionistas do Carrefour Brasil/Atacadão um prêmio de 32,4% em relação ao preço médio ponderado por volume (VWAP) das ações da companhia no mês anterior a 10 de fevereiro de 2025 e um prêmio de 27,3% sobre a relação de troca (o resultado da divisão entre o preço por ação do Atacadão e do Carrefour S.A.) assumindo o VWAP para o mesmo período e a taxa oficial de câmbio em 10 de fevereiro de 2025.
No pregão desta quinta-feira, as ações do Carrefour Brasil (CRFB3) subiam 0,41% por volta das 16h15, a R$ 7,39. Ou seja, ainda abaixo da oferta dos franceses para fechar o capital da companhia.
“Dadas as notícias sobre as empresas de votação por procuração, nosso preço-alvo de R$ 10,00 e a aparente disposição do Carrefour França de prosseguir com o processo de exclusão da listagem, acreditamos que votar contra a oferta pode se tornar uma alternativa melhor para os acionistas minoritários garantirem um prêmio maior”, diz o Santander.
Na avaliação de Rafael Passos, sócio-fundador da Ajax Asset, ao que tudo indica, o Carrefour França deverá aumentar o prêmio oferecido aos acionistas minoritários para fechar o CRFB3.
Península reduz participação e pode ajudar na aprovação da OPA
O problema é que uma notícia no início desta semana pode dar mais força à aprovação da proposta original. Isso porque a Península, gestora da família Diniz, passou por uma reorganização e reduziu sua participação na rede de varejo para menos de 5%.
Na operação, a Península II Fundo de Investimento em Participações – Multiestratégia (FIP) “deixou de estar sob gestão da Península Partners Gestão de Investimentos”, conforme o documento enviado ao mercado.
“O FIP, por sua vez … passou a deter 50.690.286 ações ordinárias de emissão da companhia, que representam cerca de 2,403% de seu capital social”, afirmou o Carrefour Brasil.
Dessa maneira, as participações caíram de 7,3% para 4,9%, o equivalente a cerca de 103,5 milhões de ações.
Com isso, ocorre que o percentual de ações livres para votar na deliberação subiu para 27,6%.
Os analistas do Santander afirmam que os 2,4% que ficaram com o FIP representam 7,9% do free float, provavelmente indicando um movimento do Carrefour França e da Península para conceder maiores chances de a oferta ser aprovada como está.
A OPA para deslistagem do Carrefour Brasil
O Carrefour França, controlador da varejista de alimentos, anunciou ao mercado em fevereiro o lançamento de uma oferta para fechar o capital da subsidiária brasileira.
O controlador quer transformar a companhia em uma subsidiária integral, tendo assim 100% do capital da brasileira. Hoje, a holding possui uma participação próxima de 70% da varejista, segundo dados da B3.
A operação prevê o fechamento do capital do Carrefour Brasil, que ficaria apto a emitir somente títulos de dívida, como debêntures, por exemplo.