Caminhoneiros mantêm estado de greve e apoiam MP do diesel
Horas depois da assembleia realizada em Santos (SP) decidir não deflagrar a paralisação nacional e dar prazo de sete dias ao governo federal, entidades ligadas aos caminhoneiros divulgaram notas em apoio à Medida Provisória nº 1.343/2026, mantendo o estado de greve até a conclusão das negociações sobre pontos ainda pendentes da pauta da categoria.
O estado de greve é uma declaração formal feita por uma categoria profissional ou sindicato de que está preparada para entrar em greve, mas a paralisação ainda não foi iniciada.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), confirmou que receberá representantes dos caminhoneiros na próxima semana, dando continuidade às tratativas iniciadas após a publicação da medida.
A decisão tomada na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista não encerrou o movimento, mas adiou para a próxima semana uma nova avaliação sobre uma eventual paralisação.
“Está mantido o estado de greve”, afirmou José Roberto Stringasci, presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil. Segundo ele, a maioria dos participantes queria parar, mas aceitou aguardar sete dias. “Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar”, disse.
Em nota divulgada à noite, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística informou que a paralisação nacional está “por enquanto, suspensa”, atribuindo a decisão à publicação da MP nº 1.343/2026.
O presidente da entidade, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, elogiou a atitude dos caminhoneiros, destacando “maturidade, responsabilidade e coerência” ao evitar a paralisação. A confederação afirmou que seguirá negociando com o governo outras pautas da categoria, que poderão ser apresentadas por emendas à medida provisória.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores também comunicou que a greve geral está suspensa até nova reunião com o governo na semana que vem, relacionando a decisão às medidas publicadas nos dias 12 e 19 de março sobre diesel, frete e fiscalização do piso mínimo. Segundo a entidade, a suspensão depende do avanço das negociações e do atendimento às reivindicações ainda pendentes.
Durante a assembleia, o presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, destacou que a negociação deve permanecer aberta após a publicação da MP. “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, afirmou.
Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a MP nº 1.343/2026 torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), permitindo à Agência Nacional de Transportes Terrestres cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário.
A medida prevê multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a tabela e, em caso de reincidência, pode suspender cautelarmente o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) ou cancelar a autorização por até dois anos. O governo também publicou o Decreto nº 12.883/2026, que define diretrizes para o preço de referência do diesel.
Em Santa Catarina, onde caminhoneiros da Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga haviam anunciado paralisação a partir do meio-dia de ontem, o presidente da entidade, Sérgio Pereira, comunicou a desmobilização do movimento no fim da tarde.
Antes disso, a Justiça Federal proibiu bloqueios nas BRs 101 e 470 e nos acessos ao complexo portuário de Itajaí e Navegantes, estabelecendo multa de R$ 10 mil por pessoa física e R$ 100 mil por pessoa jurídica em caso de descumprimento.