AgroTimes

BTG aponta redução do ‘porto seguro’ para o etanol e define novo preço de equilíbrio — veja impacto nas ações

27 jan 2026, 11:05 - atualizado em 27 jan 2026, 11:05
usinas etanol açúcar citi
(iStock.com/Pituk Loonhong)

A Petrobras (PETR4) reduziu o preço da gasolina A vendida às distribuidoras a partir desta terça-feira (27), e o BTG Pactual analisou os efeitos da decisão para o mercado de etanol e para as ações do setor de açúcar e etanol.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o banco, como os preços domésticos da gasolina vinham sendo negociados com prêmio em relação à paridade de importação (IPP) por quase 70 dias, o movimento da estatal não chega a ser uma surpresa. Ainda assim, o corte de R$ 0,14 por litro é visto como claramente negativo para o biocombustível.

Os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla estimam que a redução leve a uma queda de cerca de R$ 0,07 por litro no preço de equilíbrio do etanol nas usinas, fazendo com que a paridade de 70% na bomba recuasse de R$ 2,86 para R$ 2,79 por litro.

“Esse movimento ocorre em um momento em que o etanol havia se tornado um verdadeiro ‘porto seguro’ para o setor. Com os preços do açúcar em níveis deprimidos — entre 14 e 16 centavos de dólar por libra nos últimos meses — as usinas vinham direcionando cada vez mais o mix produtivo para o etanol, sustentadas por margens relativas mais atrativas”, afirmam os analistas.

De acordo com agentes do setor ouvidos pelo banco, apenas 30% a 35% da produção esperada de açúcar para a próxima safra está protegida por hedge, já que os preços atuais continuam favorecendo um mix mais alcooleiro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora o BTG estime que os preços do etanol encontrem algum suporte até o fim da safra, diante dos estoques atualmente baixos, o banco alerta que a dinâmica à frente é mais desafiadora, especialmente com o avanço do etanol de milho e a maior concentração do mix produtivo no biocombustível.

O impacto para as ações, segundo o BTG Pactual

Apesar do impacto negativo no curto prazo, o BTG Pactual segue construtivo com o setor, sustentado por uma visão positiva para o açúcar no longo prazo, e mantém recomendação de compra para todas as empresas sob sua cobertura.

Ainda assim, os analistas destacam que o ambiente de curto prazo permanece desafiador e deve continuar pressionando as ações de açúcar e etanol.

Para mensurar esse impacto, o banco realizou um exercício considerando os volumes esperados de vendas de etanol na próxima safra e a participação de cana própria na produção. Esse ajuste é relevante porque a estrutura de pagamento aos fornecedores mitiga parcialmente o efeito da queda dos preços do etanol sobre a cana de terceiros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

“No modelo Consecana, os fornecedores são remunerados com base nos preços de mercado do etanol e do açúcar. Assim, quando o preço do etanol cai, o pagamento pela cana de terceiros também diminui. Com base nisso, estimamos um impacto negativo no EBIT entre 6% e 10% para as empresas sob nossa cobertura”, explica o BTG.

O banco cita a São Martinho (SMTO3) como exemplo. A companhia reportou um custo caixa médio de produção de etanol de R$ 2,70 por litro no ano fiscal de 2025, que subiu para R$ 2,80 por litro no primeiro semestre da safra atual — patamar bastante próximo da nova paridade implícita após o corte da gasolina.

“Com as usinas direcionando o mix para o etanol e com a maior oferta de etanol de milho, o equilíbrio do mercado pode mudar. O corte no preço da gasolina apenas adiciona mais pressão”, afirmam os analistas.

Veja as recomendações do BTG para o setor de açúcar e etanol

  • São Martinho: compra, preço-alvo de R$ 39 (potencial de alta de 147,15%)
  • Jalles (JALL3): compra, preço-alvo de R$ 6 (potencial de alta de 82,37%)
  • Raízen (RAIZ4): compra, preço-alvo de R$ 3 (potencial de alta de 257,15%)

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
Linkedin
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, ficou entre os 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
Linkedin
Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado agro?

Editoria do Money Times traz tudo o que é mais importante para o setor de forma 100% gratuita

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar