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BRF (BRFS3), JBS (JBSS3) e Minerva Foods (BEEF3): Qual dos frigoríficos será o mais afetado pelas tarifas de Trump, segundo o Goldman Sachs

02 abr 2025, 16:56 - atualizado em 02 abr 2025, 17:01
frigoríficos trump
(iStock.com/Dragos Cojocari)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar nesta quarta-feira (2) uma série de tarifas comerciais contra diversos países. O mercado especula que a Casa Branca adote um modelo de tarifa fixa global entre 20% e 25% sobre todas importações ou taxas recíprocas. Com isso, o Goldman Sachs apontou os reflexos sobre os frigoríficos de sua cobertura.

Para o banco, a BRF (BRFS3) deve ser a mais protegida contra o “tarifaço”, enquanto a JBS (JBSS3) pode enfrentar uma leve pressão no curto prazo, já que um cenário mais protecionista poderia direcionar mais volumes para o mercado doméstico, pressionando as margens nos EUA.

“A Minerva Foods (BEEF3) pode ser a empresa mais afetada no curto prazo, já que 15% de suas receitas vêm das exportações para os Estados Unidos”, veem Thiago Bortoluci e Nicolas Sussmann.

Apesar disso, o Goldman destaca que:

  1. Embora a maior parte das vendas da Minerva para os EUA seja originária do Brasil, a empresa pode redirecionar sua produção e exportar a partir do Uruguai e da Argentina;
  2. Há relatos de que a relação entre o presidente Trump e o presidente da Argentina, Javier Milei, pode abrir espaço para um acordo comercial bilateral entre os países;
  3. A carne bovina brasileira entra no mercado americano por meio de cotas tarifárias compartilhadas com outros 10 países. As exportações dentro da cota têm uma taxa fixa de 4,4 centavos por quilo, com limite de 65.005 toneladas; volumes acima desse limite são sujeitos a uma tarifa ad valorem de 26,4%. Contudo, o Brasil já esgotou sua cota para 2025 nas primeiras semanas do ano;
  4. O Brasil, por outro lado, aplica uma tarifa de 10,8% sobre a carne bovina americana, mas o presidente Lula decidiu suspender temporariamente essa tarifa para tentar conter a inflação dos alimentos no mercado interno.
  5. Argentina e Uruguai possuem acordos comerciais individuais com os EUA.

Riscos secundários: Possibilidade de guerra comercial

De acordo com o Goldman, em um cenário hipotético no qual os EUA de Trump apliquem uma tarifa única sobre todas as importações, outros países poderiam retaliar com tarifas proporcionais sobre produtos americanos, desencadeando uma guerra comercial global.

Os principais destinos da carne americana incluem Coreia do Sul, Japão, China, Hong Kong, México e Canadá.

“Esse cenário poderia representar riscos específicos para a JBS, pois 8% de suas receitas vêm das exportações americanas. Por outro lado, poderia gerar novas oportunidades comerciais para a Minerva, que tem se consolidado como um fornecedor de carne bovina de baixo custo para os principais mercados globais”, explicam.



Além disso, 25% da carne suína e 16% do frango produzidos nos EUA são exportados. Tarifas adicionais sobre essas exportações poderiam redirecionar parte desse volume para o mercado interno, alterando o equilíbrio entre oferta e demanda e pressionando preços e margens dos frigoríficos.

“Nesse contexto, a JBS seria a empresa mais afetada dentro do nosso universo de cobertura, pois 7% e 13% de seu faturamento vêm, respectivamente, das vendas de carne suína e de frango no mercado doméstico americano”.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, também participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil e do Agro em Campo. Em 2024, ficou entre os 80 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
pasquale.salvo@moneytimes.com.br
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