BRB-Master: Por que compra é de ‘alto risco de execução’, segundo Moody’s

A compra do BRB (BSLI4) por fatia de 58% do Master por cerca de R$ 2 bilhões trouxe consigo um terremoto no mercado e, especialmente, na Faria Lima.
Parte do mercado acredita que a aquisição nada mais foi do que uma operação de resgate de um banco que cresceu de maneira arriscada e, após aperto do Banco Central, precisou fazer ajustes na operação.
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Por outro lado, o BRB, banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal, vê sinergias e diz que o banco irá mudar de patamar com a compra.
Seja como for, a Moody’s vê o negócio como de ‘alto risco de execução’. A agência de classificação até diz que, de fato, a operação tem potencial de aumentar a diversificação dos negócios e a capacidade de ganhos de médio prazo do BRB.
Porém, a estratégia complexa e de alto crescimento da Master aumenta os riscos de execução inerentes à aquisição de um banco de tamanho semelhante.
Desde que mudou sua estratégia em 2019, o BRB tem se concentrado em expandir além de sua presença tradicional e relatou uma taxa de crescimento anual composta em ativos de 26%.
Já o Master também buscou uma estratégia de crescimento acelerado, tanto organicamente quanto por meio de aquisições em banco de investimento, seguros e banco digital.
Em menos de quatro anos, o banco de Daniel Vorcaro subiu para se tornar a 25ª maior instituição financeira do Brasil por ativos em junho de 2024, ante 77ª em 2021.
Durante esse período, estabeleceu presença em cartões de crédito consignados, serviços de câmbio e empréstimos corporativos, áreas complementares à operação regional do BRB.
“Os riscos de execução e integração também incluem o status público do BRB, que envolve uma estrutura de governança complexa, e o livro de empréstimos altamente concentrado da Master, parte do qual é estruturado sob fundos de investimento em recebíveis ilíquidos”, diz.
Master termina no lucro, mas…
O Banco Master registrou lucro líquido de R$ 1,068 bilhão em 2024, dobrando o lucro de R$ 532 milhões apurado em 2023, conforme balanço financeiro divulgado nesta terça-feira.
O patrimônio líquido da instituição atingiu R$ 4,74 bilhões no ano passado, acima dos R$ 2,3 bilhões registrados em 2023, enquanto o total de ativos alcançou R$ 63 bilhões no mesmo período, crescimento de 75% na comparação ano a ano.