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Brasil pode ser o grande ‘vencedor’ da guerra tarifária global, diz WSJ

03 abr 2025, 16:59 - atualizado em 03 abr 2025, 16:59
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(Imagem: Getty Images)

Exportadores do Brasil podem sair ganhando na guerra tarifária global, com aumento da demanda da China e novas oportunidades comerciais, disse o The Wall Street Journal.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou no início daF noite da última quarta-feira (2) tarifas recíprocas à diversos países. As importações brasileiras foram taxadas em 10%, o menor nível entre os países anunciados.

O preço da soja nos portos subiu 70% no último mês. Exportações de frango e ovos cresceram 9% e 20%.

Processadores chineses estocaram soja brasileira antes da posse de Trump. Após a China impor tarifa de 10% sobre a soja dos EUA, os preços subiram 70%.

As exportações brasileiras de frango e ovos já aumentaram 9% e 20%, respectivamente, este ano. O Brasil escapou do surto de gripe aviária, ampliando seu apelo à China como alternativa aos EUA após Pequim impor uma tarifa de 15% sobre o frango americano.

Os laços comerciais mais profundos entre Brasil e China têm implicações estratégicas para Washington, com autoridades americanas vendo a presença chinesa na América Latina como uma ameaça econômica e militar.

Simultaneamente, o Brasil observa oportunidades de expandir suas exportações para os EUA e outros países afetados pelas tarifas anunciadas por Trump. O setor de calçados, por exemplo, pode atrair os olhos dos norte-americanos.

O Brasil, maior produtor de calçados fora da Ásia, pode substituir a China no mercado americano. Isso representaria um impulso para o país na exportação de bens com maior valor agregado.

Haroldo Ferreira, diretor da Abicalçados, acredita que, sem tarifas significativas sobre produtos brasileiros, há uma grande oportunidade de crescimento nas exportações para os EUA, que já são o principal destino.

Como o ‘tarifaço’ de Trump impulsiona o Brasil

Apesar das críticas de Trump às altas tarifas brasileiras, economistas apontam que o superávit comercial duradouro dos EUA com o Brasil poderia proteger o país sul-americano de tarifas significativas.

O Ibovespa, fortemente ligado à commodities, registrou uma alta de 9% este ano até o fechamento de terça-feira (1).O S&P 500, no entanto, apresentou uma queda de 4,2% no mesmo período.

André Perfeito, economista-chefe da consultoria APCE, atribuiu a recente valorização do real ao otimismo em relação ao comércio global. De acordo com ele, a reorganização do comércio por Trump está criando oportunidades.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Japão, discutiu com o primeiro-ministro Shigeru Ishiba medidas para abrir o mercado japonês às importações de carne bovina brasileira.

O Japão, que importa 40% da carne dos EUA, pode rever o acordo de 2019 diante das tarifas de Trump. Lula declarou que é necessário superar o protecionismo e garantir o crescimento do livre comércio.

Os EUA seguem como maior investidor no Brasil, parceiro estratégico fora da OTAN. O Brasil, um grande exportador de aço para os EUA, já foi afetado pelas tarifas de Trump sobre aço e alumínio e atualmente negocia com o governo americano para mitigar o impacto dessas tarifas.

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Estagiária de Redação
Estudante da área de comunicação, cursando Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Ingressou no Money Times em 2024 como estagiária.
marcela.malafaia@moneytimes.com.br
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