‘Brasil estava fora do radar’: Armor Capital vê espaço para gringos voltarem à Bolsa
Na última segunda-feira (5), os gringos ingressaram com R$ 10,1 bilhões na Bolsa brasileira, no dia seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais, em reação à ‘surpresa’ de Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma vantagem de 2,2 milhões de votos.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro agora é o favorito a vencer o segundo turno, em 25 de outubro, e também é o candidato predileto do mercado com promessas de austeridade fiscal, privatizações, desregulamentação e cortes de impostos sobre o consumo (IVA).
Para Paula Moreno, sócia e co-CIO da Armor Capital, a expectativa é de um retorno mais expressivo do ‘gringo’ com a possibilidade de uma mudança de governo. “Acho que esse mercado mais leve ajuda a explicar o movimento que estamos vendo e pode sustentar a performance no curto prazo”, afirmou a gestora, em entrevista ao Money Times.
Na visão dela, os fundos indexados a índices de mercados emergentes que estavam com uma exposição ao Brasil abaixo do benchmark agora podem precisar se rebalancear.
“Um Congresso mais à direita e uma agenda econômica mais liberal, que facilite a aprovação de reformas e ajustes na política econômica, podem reforçar ainda mais esse movimento [de retorno de capital estrangeiro].”
No ano, o saldo de capital estrangeiro na Bolsa é positivo em quase R$ 30 bilhões. “Ainda é um recurso pequeno. O Brasil estava meio fora do radar, porque o investidor estava muito mais alocado na Bolsa americana e em alguns mercados emergentes da Ásia, principalmente em empresas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial”, avalia a gestora.
Além disso, com a Selic acima dos dois dígitos, tanto o estrangeiro quanto o local estavam com pouca exposição ao Brasil.

- LEIA TAMBÉM: Ibovespa a 240 mil pontos e dólar a R$ 4,80: a mudança de apostas da Armor após o 1º turno
Opções dão lugar à compra de papel
Também na reta final do primeiro turno, os investidores estrangeiros e locais estavam se posicionando via opções do EWZ — uma espécie de “Ibovespa em dólar” — diante do risco eleitoral.
Para Paula, depois do forte movimento observado nos últimos dias, a tendência é que os investidores passem a comprar diretamente ações.
“Um grande movimento aconteceu e foi rápido e via opção. Daqui para frente, acho que a movimentação de papel aumenta, porque está mais fácil visualizar um horizonte”, afirmou.
“Acho que o mercado pode sustentar esse movimento, principalmente porque ainda não tem muita gente posicionada. Mas precisamos da confirmação do resultado e, depois, de maior clareza sobre qual será a direção da política econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Isso vai ser importante para determinar se esse movimento de alta da Bolsa pode continuar”, acrescentou Paula Moreno, co-CIO da Armor.
A gestora, por sua vez, não descarta mais volatilidade nos mercados até o segundo turno, principalmente em relação às pesquisas de intenção de votos. Contudo, na visão dela, “independentemente do que as pesquisas mostrarem, o mercado continua animado com a possibilidade de um governo mais liberal.”
A Armor Capital, gestora de fundos multimercados com R$ 1,7 bilhões sob gestão, mudou a estratégia para os ativos brasileiros após o resultado do primeiro turno das eleições. Antes vendida em Bolsa brasileira e comprada em real e bolsa norte-americana, agora a gestora mantém uma posição comprada tanto no real quanto em ações brasileiras.