Bradesco (BBDC4): Lucro sobe 20,6% e chega R$ 6,5 bi no 4T25, acima das projeções; rentabilidade vai a 15,2%
O Bradesco (BBDC4) reportou lucro recorrente de R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2025, alta de 20,6% em comparação com o mesmo período de 2024, mostra documento enviado ao mercado nesta quinta (05).
O número ficou pouco acima do esperado pelo consenso da Bloomberg, que aguardava lucro de R$ 6,3 bilhões no período.
No acumulado de 2025, o lucro subiu 28%, para R$ 24 bilhões.
Após sequência negativa, com rentabilidade bem abaixo dos pares e índices de qualidade, incluindo inadimplência, que mostraram deterioração preocupante, o Bradesco tenta ‘acertar a mão’.
A prioridade até aqui tem sido melhorar a qualidade dos ativos, mesmo que isso implique em um crescimento de crédito menor em 2025.
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Como o CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, não cansa de repetir, um crescimento step by step (passo a passo).
E ao que parece, a fórmula tem dado certo. No ano passado, o BBDC saltou 60%, reconquistando a confiança dos analistas.
“Nossa operação está tracionada, o que nos permitiu entregar forte crescimento de receitas, mantendo a inadimplência sob controle. Começamos 2026 em ritmo mais forte do que começamos 2025.”, diz o CEO.
Apesar disso, o CEO diz que o apetite ao risco é moderado, porque o cenário macro ainda nos mostra desafios e incertezas, “mas temos encontrado boas oportunidades e estamos otimistas com os nossos negócios”.
No after-market de Nova York, a ADR do banco virou para queda e caia 3,25%.
Rentabilidade dá mais um passo
O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) mostrou nova evolução e subiu 2,5 pontos percentuais no ano e 0,5 pp no trimestre, para 15,2%. Com a Selic, a taxa básica de juros, a 15%, o banco superou, assim, o custo de capital.
“Nosso ROE superou o custo de capital. É um marco importante que foi superado. E a nossa expectativa é que o lucro continue a aumentar, em cada um dos próximos trimestres, de forma gradual e segura, step by step”, diz o CEO.
Mesmo assim, o banco não conseguiu ficar acima da rentabilidade do seu rival espanhol, o Santander (SANB11), que encerrou o período com 17,6% e do Itaú (ITUB4), que lidera com 24,4%.
Bradesco: Aumento dos calotes?
Apesar da economia mais morna, o Bradesco conseguiu crescer a sua carteira de crédito.
Ao todo, houve alta de 5,3% no trimestre e 11% no ano, chegando a R$ 1 trilhão, com expansão de 12,7% na carteira de pessoas físicas e 9,7% na de pessoas jurídicas (empresas).
O desempenho foi impulsionado pelos segmentos de micro, pequenas e médias empresas (MPME).
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Apesar disso, o banco elevou sua despesa com PDD, reserva de capital que bancos fazem para lidar em casos de inadimplência, em 20,5% no ano e 7,4% no trimestre, para R$ 10 bilhões.
“A variação das despesas com PDD no trimestre refletem, essencialmente, o crescimento da carteira de crédito no período, o efeito da eficiência no processo de cobranças, refletindo no maior resultado de recuperações de crédito”, destaca o banco.
Mesmo assim, a inadimplência seguiu controlada. O índice acima de 90 dias manteve-se estável no trimestre, com redução de 0,3 p.p. em 12 meses, a 4,1% em dezembro.
Ou seja, o banco conseguiu crescer a carteira sem prejudicar a linha, importante termômetro para medir a capacidade dos clientes de honrarem suas dívidas.
Margens e receitas
As receitas totais ficaram em R$ 36,1 bilhões no trimestre, avanço de 2,9% na comparação trimestral e de 9,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Já as receitas de prestação de serviços cresceram 4,6% no trimestre e 8% no ano, a R$ 11 bilhões.
Os destaques positivos no trimestre foram as receitas de mercado de capitais, rendas de cartão e operações de crédito, segundo o banco.
A margem financeira somou R$ 19,2 bilhões no trimestre, alta de 2,9% no trimestre e 13,2% no ano.
Já a margem com clientes atingiu R$ 18,6 bilhões, crescimento de 2,7% no trimestre e 18,4% no ano, principalmente, pelo efeito do aumento da carteira de crédito e eficiência na margem de passivos.
Apesar disso, a margem com mercado foi de R$ 126 milhões, alta de 27,3% em relação ao trimestre anterior, mas tombo de 85% ante o ano anterior.
As despesas operacionais somaram R$ 16,9 bilhões, alta de 2,9% na comparação trimestral e 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, em linha com o esperado.
“Terminamos 2025 um passo à frente do nosso cronograma de transformação. Em 2026, investiremos ainda mais na nossa transformação. Sabemos que esses investimentos pressionam temporariamente as nossas despesas, mas acreditamos que valem à pena por elevarem a nossa competitividade de médio e longo prazo”, disse.
Guidance
Considerado um guidance conservador, o Bradesco conseguiu superar o crescimento da carteira de crédito no intervalo indicado, principalmente, devido a evolução, no fim do ano, no segmento de grandes empresas.
O resultado das operações de seguros também teve desempenho melhor que o esperado, essencialmente pela tração comercial e melhora na sinistralidade. As demais linhas do guidance ficaram na parte superior das projeções indicadas.
Para 2026, o banco espera que, com o risco de crédito controlado, a rentabilidade evolua através do aumento das receitas.
“O forte desempenho das receitas nos oferece a oportunidade de investirmos mais e mantermos a nossa transformação em ritmo acelerado. A expectativa é de que a nossa rentabilidade continue a aumentar de forma gradual e segura, step by step”.
Veja a tabela abaixo:
| Indicador | 2025 – Indicador Anual | 2025 – Realizado (12M25 x 12M24) | 2026 – Indicador Anual |
|---|---|---|---|
| Carteira de Crédito Expandida | 4% a 8% | 11,0% | 8,5% a 10,5% |
| Margem Financeira Líquida (Margem Financeira Total – Despesa de PDD Expandida) | R$ 37 bi a R$ 41 bi | R$ 40 bi | R$ 42 bi a R$ 48 bi |
| Receitas de Prestação de Serviços | 5% a 9% | 8,9% | 3% a 5% |
| Despesas Operacionais (Pessoal + Administrativas + Outras) | 5% a 9% | 8,5% | 6% a 8% |
| Resultado das Operações de Seguros, Previdência e Capitalização | 9% a 13% | 16,1% | 6% a 8% |