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Bolivianos se refugiam no Bitcoin em momento de instabilidade política

Leandro França de Mello - 11/11/2019 - 0:17
Bolivia oposição
Negociar criptomoedas na Bolívia é crime passível de cadeia. Contudo, diante da instabilidade política, os bolivianos transacionaram um volume expressivo de Bitcoins em 24h (Imagem: Facebook oficial de Luis Fernando Camacho)

A Bolívia sob a administração de Evo Morales, que renunciou ao governo neste domingo, segue como um dos poucos países do mundo a não ter praticamente nenhuma operação de mineração ou transações com criptomoedas em seu solo. Um caso raro de “obediência” social. Visto que as criptomoedas, em particular o Bitcoin foram planejadas para serem anti-sistema e incensuráveis. No caso, informações oficiais e auditáveis sobre transações com criptoativos.

Em maio de 2017, a Autoridade Supervisora do Sistema Financeiro Boliviano (ASFI) prendeu 60 promotores de criptomoedas em um workshop. A alegação era que elas estavam disseminando um esquema de pirâmide. De acordo com um comunicado à imprensa feito pela instituição. O grupo supostamente estava promovendo negócios com Bitcoin Cash. Não ficou claro se tratava-se de algum esquema ponzi ou se era um grupo de entusiastas que só pretendiam disseminar a tecnologia.

O governo boliviano promoveu uma mudança no código penal do país em 2014, passando a criminalizar todos aqueles que transacionassem moedas não legalizadas no país, com uma pena de sete anos de prisão e inabilitação para exercício de profissão, de um a três anos. Essa proibição tirou a Bolívia do mapa oficial das criptomoedas e tudo o que tem sido negociado no país segue via Peer-to-Peer (P2P), ou seja de pessoa a pessoa e de forma quase 100% discreta.

Não há dados consolidados sobre as transações de criptomoedas no país, desde 2017 quando o Banco Central Boliviano (BCB) emitiu a portaria 044/2014 intitulada: GERENCIA DE ENTIDADES FINANCIERAS — PROHIBICION DEL USO DE MONEDAS Y DENOMINACIONES MONETARIAS NO REGULADAS EN EL AMBITO DEL SISTEMA DE PAGOS NACIONAL -, não se tem praticamente nenhuma informação sobre transações com criptomoedas de forma oficial.

Em conversa com Gabriela Melendrez, fundadora do Bolivian Mind Blockchain (BMB), ela nos conta que desde que as criptomoedas foram proibidas, os entusiastas passaram a se dedicar ao estudo e disseminação do Blockchain. Gabriela não consegue determinar quanto se negocia em criptomoedas no país e diz que não há informações consolidadas. Ela se mostrou insegura em conversar conosco sobre o comércio de criptomoedas na Bolívia. Outra pessoa com quem conversamos e também não foi capaz de nos dar muitas informações sobre o comércio de criptomoedas no país foi o Youtuber, Juan en Crypto.

Todos os serviços que funcionavam em 2014 não atuam mais no país, tais como: CEX.io, Coinbase Bolivia, Bitrefill, Bitex.la e Crypto.Local, uma bolsa venezuelana P2P. A única bolsa que havia no país operando via deposito bancário, a Surbitcoin, fechou pois sua conta bancária foi fechada à revelia. Segundo o portal BestBitcoinExchange.

Há operações via P2P na plataforma LocalBitcoins, contudo não há dados expostos na plataforma da Coin.Dance, que compila os dados nacionais da LocalBitcoins. O que se deve essa total falta de informação? Todas as operações locais estão sendo realizadas via redes virtuais privadas (VPN) e não podem ser monitoradas facilmente. Devido à forte repressão os investidores se reunem em grupos pequenos no Telegram e WhatsApp.

De acordo com dados compilados pelo CoinMap as principais cidades a despontar como polos de vendas de criptoativos são:  La Paz, Cochabamba e Montero, em Santa Cruz de La Sierra.

(Imagem: Coinmap)

A Coinmap elencou os negócios que aceitam pagamento com criptomoedas nas três cidades, havendo somente 3 empresas em cada cidade. De acordo com a Coinmap há 15.621 locais no mundo que aceitam Bitcoin como meio de pagamento.

Em conversa com Huascar Miranda Martinéz, fundador da startup Criptoanalisis (que se encontra encerrada) ainda há muito potencial para as criptomoedas na Bolívia, mesmo sob proibição.

“Eu vejo grupos de pessoas negociando e vendendo seus ativos em troca de dinheiro em grupos no Whatsapp.”  – Huascar Miranda Martínez.

Para Huascar são negociados entre 10 a 15 Bitcoins por mês. Contudo, de acordo com o site BitcoinTicker, a Bolívia transacionou nesse domingo à noite cerca de 5.710 Bitcoins.

(Imagem: BitcoinTicker)

Comparando-se com o montante de transações realizados no Peru nas últimas 24h e sendo um país que faz fronteira com a Bolívia, podemos comparar um montante com o outro.

(Imagem: FiatLeak)

De acordo com o serviço FiatLeak que faz acompanhamento em tempo real de transações com determinados pares de moedas feitas via blockchain no mundo todo, o Peru transacionou 434.923 BTC nas últimas 24h. Embora sejam números díspares, devemos levar em consideração que o Peru não possui nenhuma política de estado proibitiva e nem anteparo tecnológico que impeça seus cidadãos de transacionarem criptomoedas, ao contrário da Bolívia que força seus cidadãos a operarem via VPN ou em grupos discretos e pequenos.

O Brasil em 24h segundo o FiatLeak transacionou cerca de 441 mil Bitcoins.

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Última atualização por Leandro França de Mello - 11/11/2019 - 0:39