Boa Safra (SOJA3) tomba após fraco 4T25; o que dizem os analistas?
As ações Boa Safra (SOJA3) recuavam 10,66%, a R$ 6,87, por volta das 11h desta quarta-feira (25) após a companhia reportar um prejuízo de R$ 8,4 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25).
Os analistas das principais casas reforçam a leitura de um trimestre desafiador — ainda que com nuances distintas entre elas.
O Itaú BBA manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 10, e destacou que os resultados vieram abaixo do esperado, com Ebitda (Lucro Antes dos Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) pressionado e margens no menor nível para um quarto trimestre.
A casa atribui o desempenho a preços mais fracos, excesso de capacidade no setor e problemas de qualidade de sementes, além de um mix menos favorável. Apesar disso, vê algum potencial de melhora à frente, com foco maior em rentabilidade a partir de 2026 e possível ajuste competitivo na indústria.
Na mesma linha, o Bradesco BBI também classificou o trimestre como bastante fraco, mesmo diante de expectativas já baixas. A instituição chamou atenção para o tombo da rentabilidade — com EBITDA muito abaixo do projetado e forte contração de margem — além do prejuízo líquido no período.
Entre os principais fatores, destacou preços mais fracos, maior descarte de sementes, custos comerciais elevados e aumento da alavancagem. Para o BBI, as “dores de crescimento” se intensificaram, com a expansão cobrando seu preço em diversas frentes operacionais e financeiras.
Já o BTG Pactual também manteve postura neutra (preço-alvo de R$ 12) e avaliou o momento como um “passo para trás”. O banco reconhece que a Boa Safra avançou em receita e participação de mercado, mas com custos maiores do que o esperado, o que derrubou a lucratividade.
O BTG ressalta que a queda de margens para níveis historicamente baixos reforça a necessidade de recalibrar a operação, com foco em recuperar rentabilidade — embora veja limitações para um retorno aos níveis históricos e mantenha cautela com a tese.
Por outro lado, a XP Investimentos adota uma visão mais construtiva, mantendo recomendação de compra e preço-alvo de R$ 11,80. Ainda assim, reconhece que os números foram fracos e devem pressionar as ações no curto prazo.
A XP destaca que o crescimento e a diversificação vieram acompanhados de maior complexidade e custos, especialmente em um ciclo negativo do setor. A casa vê como pontos positivos o avanço de volumes, ganho de market share e liquidez sólida, mas pondera que a empresa precisará melhorar a execução, com foco em otimização de portfólio e disciplina de custos.
As análises convergem para um diagnóstico claro: a Boa Safra segue ganhando escala e participação, mas enfrenta dificuldades para transformar esse crescimento em rentabilidade. O foco do mercado agora se volta para 2026 — e para sinais mais concretos de recuperação de margens.