Boa Safra (SOJA3): Escassez de sementes joga a favor e Citi eleva preço-alvo; ação sobe quase 7%
As ações da Boa Safra (SOJA3) subiam 6,96% por volta de 11h13 desta terça-feira (1º), após o Citi elevar o preço-alvo para os papéis da companhia de R$ 6,90 para R$ 7,50.
Apesar da revisão positiva, o banco manteve a recomendação neutra para a empresa. Na avaliação dos analistas Gabriel Barra e Pedro Gama, a perspectiva operacional está melhorando, mas a alavancagem elevada e as incertezas relacionadas à demanda ainda recomendam cautela.
O Citi atualizou suas projeções após os resultados do segundo trimestre de 2026 e a revisão de suas estimativas macroeconômicas. Segundo o banco, a Boa Safra está priorizando a recuperação das margens em vez do crescimento de volumes ao longo deste ano.
A companhia manteve deliberadamente a produção próxima ao nível das vendas do ano passado e internalizou cerca de 90% de sua capacidade de 280 mil big bags. A estratégia busca reduzir estoques excedentes, preservar a qualidade das sementes, diminuir as taxas de descarte e melhorar a diluição dos custos fixos.
Escassez de sementes favorece Boa Safra
Um dos principais fatores positivos para a tese é a escassez de sementes no mercado. De acordo com o Citi, o excesso de chuvas durante a colheita da soja restringiu a oferta, enquanto concorrentes reduziram os volumes diante das limitações de capital de giro.
Essa combinação deve favorecer um ambiente mais saudável para preços e margens, beneficiando a Boa Safra.
A recente valorização da soja também pode ajudar a destravar as compras de sementes no segundo semestre. O Citi acredita que o humor dos produtores melhorou marginalmente e espera uma evolução da carteira de pedidos, considerando que as aquisições tendem a se concentrar a partir de agosto.
Até o fim do segundo trimestre, porém, a carteira de pedidos de sementes de soja apresentava queda na comparação anual. O banco atribui o recuo à volatilidade nos preços e na disponibilidade de fertilizantes, além da oferta restrita de crédito no país.
Os produtores também continuam pressionados pelos custos dos fertilizantes e pelos riscos de produtividade associados ao El Niño. Esse cenário pode limitar a adoção de sementes de maior tecnologia, como aquelas submetidas ao tratamento de sementes industrial, conhecido como TSI.
Em contrapartida, a receita proveniente de outras culturas continua avançando, o que, segundo os analistas, demonstra o sucesso da estratégia de diversificação da companhia.
Inadimplência e alavancagem exigem cautela
O Citi também chamou atenção para a evolução das contas a receber. Os recebíveis vencidos da Boa Safra cresceram 188% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as provisões para perdas esperadas aumentaram 86%.
Os números refletem as dificuldades enfrentadas por produtores rurais e distribuidores de insumos agrícolas. A administração da companhia informou, entretanto, que já recebeu R$ 99 milhões dos R$ 213 milhões em recebíveis vencidos após o encerramento do segundo trimestre.
O banco pondera ainda que a Boa Safra diversificou sua base de clientes nos últimos anos para reduzir a exposição a grandes contas.
Mesmo com esses atenuantes e a melhora esperada para as margens, a alavancagem permanece como um ponto de atenção. O Citi estima que o indicador encerre 2026 em aproximadamente três vezes, próximo ao limite de 3,5 vezes previsto nos covenants financeiros da companhia.
Esse risco ajuda a explicar por que o banco elevou o preço-alvo, mas ainda não recomenda a compra das ações.