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Blog do PQ?: Economia em um boneco de Lego

10/08/2019 - 19:04

Por Blog do PQ?

O principal objetivo da economia é entender como as pessoas tomam decisões quando elas se defrontam com restrições. Por exemplo, como minha renda é limitada, se eu decido jantar em um restaurante caro, sobra menos dinheiro para outras coisas. Isso faz com que essa escolha seja especialmente dolorosa. Minha decisão de jantar nesse restaurante dependerá de uma série de variáveis que afetam as restrições a que estou submetido.

Suponha que, sob condições normais de temperatura e pressão, eu considero o restaurante muito caro e prefiro não comer lá. Mas pense que o restaurante passe a fazer uma promoção às segundas-feiras. Isso pode ser suficiente para mudar meu comportamento. Trata-se de uma alteração no ambiente, fazendo com que os indivíduos modifiquem suas escolhas.

Outros exemplos: o restaurante é tão chique que vira sinônimo de status frequentá-lo (mesmo que a comida nem seja tão boa). Isso pode ser suficiente para fazer com que as pessoas encarem filas para pegar uma mesa. Por outro lado, se espalha um boato de que a cozinha é suja, muita gente evitará o lugar. Todos esses são exemplos de mudanças no ambiente afetando os custos e benefícios atribuídos pelas pessoas a determinada ação, o que acaba influenciando o seu comportamento. Em economia, chamamos esses fatores de incentivos.

Entender como incentivos afetam o comportamento é crucial para desenhar políticas públicas. E muitas vezes, quando políticas públicas resultam em efeitos indesejados inesperados, é porque não se levou em conta adequadamente como os indivíduos respondem a mudanças no ambiente. Um exemplo famoso é o imposto sobre janelas que vigorou no Reino Unido nos séculos 17 e 19: o valor do imposto que as pessoas pagavam sobre suas casas era função do número de janelas na residência.

Frente a isso, os indivíduos passaram literalmente a diminuir as janelas de suas propriedades. Trata-se de uma mudança no ambiente (custo de ter janelas aumentado) mexendo com o comportamento (número de janelas da propriedade). No fim das contas, isso teve consequências negativas palpáveis, já que uma casa com menos janelas tem menor circulação de ar, facilitando a disseminação de doenças.

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No desenho de políticas públicas, incentivos podem ser categorizados em dois tipos: incentivos positivos e incentivos negativos. Incentivos positivos podem ser entendidos como recompensas por determinado comportamento que se deseja estimular. Já os incentivos negativos são punições sobre uma ação que se deseja desestimular.

Um exemplo ajuda a ilustrar essa diferença. Em geral, o uso de automóveis em grandes cidades está associado a externalidades negativas, como poluição e trânsito. Da perspectiva da sociedade, faz sentido desestimular as pessoas a andar de carro. Nesse caso, um incentivo positivo pode ser a provisão de transporte público de qualidade; um incentivo negativo seria aumentar o custo de usar o carro (cobrando, por exemplo, impostos sobre combustível ou pedágio urbano).

Há uma metáfora famosa para ilustrar o papel dos incentivos na economia, representada no boneco de Lego abaixo – a história da cenoura e da vara (em inglês, carrot and stick). A pessoa está montada num animal e quer que ele se mova. Pode oferecer a cenoura como incentivo positivo, incitando-o a se movimentar; ou pode puni-lo com a vara se ele ficar parado – o que corresponde ao incentivo negativo.

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Última atualização por Diana Cheng - 09/08/2019 - 19:41