Azul (AZUL4) esclarece notícia de proteção judicial; veja o que companhia disse
A Azul (AZUL4) esclareceu notícia publicada pelo Bloomberg de que a companhia estaria considerando diversas opções — incluindo um pedido de proteção contra credores — para lidar com sua dívida com vencimento iminente. Na bolsa, ação despencava mais de 20%.
- Confira: Nem quente, nem frio, mas ‘ideal’? Esse pode ser o momento de entrar em ações brasileiras, segundo analista; veja as ações que são oportunidade de compra
Segundo a companhia, ocorreu uma má interpretação das informações.
No comunicado, lembra que desenvolveu um novo plano estratégico, visando uma melhoria geral de sua estrutura de capital e posição de liquidez e que está em negociações ativas com seus principais stakeholders para otimizar a estrutura de equity acordada no plano de otimização de capital do ano passado.
“Em linhas gerais, os stakeholders estão demonstrando apoio e as negociações estão avançando na direção de melhores resultados para todas as partes. Como temos demonstrado consistentemente, a Azul sempre favorece soluções amigáveis e comerciais que maximizam valor para todos os seus stakeholders”, disse.
Além disso, a empresa informou, ainda na teleconferência de resultados, que possui capacidade adicional
de captação de recursos utilizando Azul Cargo como garantia primária no montante de até US$ 800 milhões. Outras fontes de liquidez também estão disponíveis.
A Azul tinha, no fim do segundo trimestre, R$ 18 bilhões em dívida com os arrendadores.
Alívio no Congresso e fusão com a Gol
Ontem, o Congresso brasileiro aprovou o projeto de lei que permite que as companhias aéreas tenham acesso a linhas de crédito recorrentes apoiadas pelo Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), o que também pode ajudar a dar fôlego para a aérea.
Citou ainda que está mantendo discussões com a Abra para explorar possíveis parcerias ou combinações de negócios relacionada à GOL. Até a presente data, ela não celebrou ou formalizou um acordo, vinculante ou não.
“A Azul gostaria de reforçar seu compromisso com o cumprimento das regras de divulgação de informações periódicas, eventuais e outras informações de interesse do mercado aplicáveis às companhias abertas, garantindo sua ampla e imediata disseminação e tratamento igualitário a todos, de forma a evitar qualquer tipo de assimetria de informação que possa prejudicar seus investidores”, discorre.
Momento ruim para Azul e setor aéreo
O setor aéreo vive momento delicado. Em 25 de janeiro, a Gol pediu recuperação judicial nos Estados Unidos com dívidas acima de R$ 20 bilhões. No comunicado, a Azul cita alguns fatores que pioraram sua situação, como:
- desvalorização do real brasileiro;
- redução na capacidade doméstica como resultado das enchentes no Rio Grande do Sul em maio e o fechamento do Aeroporto de Porto Alegre, com reabertura parcial prevista para outubro de 2024;
- redução temporária em capacidade internacional no primeiro semestre do ano
- atrasos nas entregas de novas aeronaves pelos fabricantes.
De acordo com o Bradesco BBI, em breve comentário enviado a clientes, com a situação, é esperado que a Azul acelere as negociações para uma fusão com a GOL, “o que estimamos que poderia criar R$ 10,00/AZUL4 em sinergias”.
“Enquanto isso, a garantia de crédito do Governo Federal por meio de fundos do FNAC poderia ajudar a dar à Azul alívio financeiro de curto prazo”, coloca.
A corretora acredita que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) comece a desembolsar linhas de crédito para as companhias aéreas no quarto trimestre.