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As ações do Facebook podem se recuperar em 2019?

Investing.com Brasil - 02/01/2019 - 12:49

Facebook

Por Investing.com – Recentemente, tem sido difícil passar um dia sem que algo negativo sobre o Facebook (FB), gigante das redes sociais, não apareça nas manchetes. Na última sexta-feira, foi uma publicação da companhia, revelando que um erro de software deu a desenvolvedores externos acesso amplo às fotos de milhões de usuários.

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No início desta semana, foi outra revelação sobre a manipulação russa da última eleição nos EUA através da plataforma, em um relatório encomendado pelo Comitê de Inteligência do Senado. O relatório afirma que o Instagram, que pertence ao Facebook, teve um papel muito maior do que a companhia havia previamente admitido, dando a impressão de que o seu CEO e fundador, Mark Zuckerberg, tentou minimizar a utilidade do seu site como um dos ativos mais apreciados pelos manipuladores russos.

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E ontem mesmo o jornal The New York Times divulgou:

“Durante anos o Facebook deu a algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo acesso mais intrusivo aos dados pessoais dos usuários do que a empresa havia revelado, chegando inclusive a isentar esses parceiros comerciais de seguir suas regras normais de privacidade.”

Em resumo, nos últimos 12 meses, vimos surgir um grande amontoado de notícias devastadoras sobre o Facebook. Desde o escândalo envolvendo a Cambridge Analytica até repetidos tropeços em tudo, como o extremismo violento dentro das paredes da internet do Facebook e a saída de diversos altos executivos, cada evento contribuiu para arranhar a reputação da companhia como uma das plataformas sociais mais seguras.

Esse contínuo bombardeio de manchetes negativas nos últimos dois trimestres não ajudou as ações da companhia a se recuperar da sua profunda queda. Depois de todo o vendaval que as ações de tecnologia enfrentaram em 2018, o Facebook está se estabelecendo como o maior perdedor dentro do grupo FAANG, que inclui Amazon (AMZN), Apple (AAPL) e Google (GOOGL). O Facebook fechou o pregão de ontem cotado a US$ 143,66, depois de afundar quase 21% desde o início do ano e 34% desde a máxima de 52 semanas.

Esse baixíssimo desempenho é um dos principais indicadores de que os investidores não apenas duvidam da eficácia da liderança de Mark Zuckerberg, como também permanecem receosos quanto à sua capacidade de tirar a companhia dessa confusão. Além disso, eles também estão se antecipando à real possibilidade de o governo norte-americano criar normas mais rígidas. Isso poderia alterar o modelo de negócios da companhia, que se valeu dele para criar uma riqueza sem precedentes para si e para milhões de investidores desde a abertura do seu capital em 2012.

Poucas chances de recuperação em 2019

Em nossa visão, os próximos dois trimestres serão cruciais para o Facebook. A companhia precisa mostrar aos investidores que resolveu todas as crises que enfrentou ao longo de 2018. A companhia ainda detém poder de fogo financeiro suficiente para superar seus concorrentes.

Mas se é difícil para Zuckerberg conseguir uma recuperação significativa, mais difícil ainda será restaurar rapidamente a confiança dos investidores em sua liderança e provar que não haverá mais surpresas negativas daqui para frente. Em nossa visão, esses grandes fatores desconhecidos prejudicaram o Facebook mais do que a desaceleração das suas receitas.

Como discutimos em um artigo no início deste mês, o Twitter (TWTR), rival do Facebook, realizou um trabalho muito melhor nessa frente. Prova disso é a maneira extraordinária como os investidores recompensaram o Twitter por sua transparência, mesmo nesse ambiente extremamente incerto para as ações de crescimento.

Assim que todas as notícias ruins saírem do caminho, acreditamos que o Facebook estará em condições muito melhores de se recuperar e voltar à sua trajetória de crescimento, principalmente porque a empresa ainda gerencia as plataformas sociais mais populares do mundo, incluindo Instagram e WhatsApp. No entanto, é difícil apostar em uma alta das ações do Facebook em 2019.

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À medida que a companhia aumenta suas despesas para tornar suas propriedades mais aceitáveis aos órgãos regulares, políticos e principalmente usuários, os investidores não devem esperar aquelas margens que viram no passado. As regiões mais rentáveis para o Facebook – EUA, Europa e Canadá – dificilmente registrarão um crescimento de usuários em 2019. Na Europa, uma lei de privacidade digital recém-aprovada está ameaçando inibir seu crescimento, enquanto o número de usuários diários do Facebook e do seu aplicativo Messenger já se estagnou nos EUA e no Canadá.

Enquanto suas antigas plataformas amadurecem em termos de crescimento de usuários, o Facebook está advertindo os investidores de que novos fatores de crescimento, como as mensagens privadas no WhatsApp e Messenger, os vídeos no Facebook e os diários de vídeo e foto chamados “Histórias” no Instagram e Facebook, levarão tempo para fazer com que as vendas voltem ao patamar que os investidores viram durante o último boom.

Resumo

A crescente ameaça de regulações governamentais, a fraqueza da rede do Facebook e a possibilidade de desaceleração do crescimento mundial são os três principais riscos para a recuperação da companhia em 2019. Esses fatores provavelmente colocarão sob pressão o crescimento da empresa no curto prazo e atrasarão ainda mais a retomada dos preços das suas ações. Nesse ambiente, consideramos que as ações do Facebook permanecem vulneráveis, pelo menos durante o primeiro semestre de 2019.

Última atualização por Bruno Andrade - 02/01/2019 - 12:56