Cotações por TradingView
Cotações por TradingView
Fast

Após Previdência, Maia flerta com corrida presidencial

18/11/2019 - 14:03
Rodrigo Maia
Maia vive um momento especial após a histórica aprovação da reforma da Previdência, disse a Bloomberg (Imagem: REUTERS/Adriano Machado)

Em uma era marcada pelo populismo e por estilos extravagantes, Rodrigo Maia não desempenha exatamente o papel de uma figura política em ascensão. De fala mansa, o presidente da Câmara dos Deputados parece desconfortável em sua própria pele, ajustando repetidamente a gravata, o blazer, a aliança de casamento e os poucos cabelos durante entrevista de pouco mais de uma hora.

No entanto, Maia vive um momento especial após a histórica aprovação da reforma da Previdência, amplamente atribuída a ele. Em visita a Nova York para receber o Prêmio Woodrow Wilson Center por Serviços Públicos, Maia também foi recebido como herói por financistas de Wall Street, que o consideram uma peça fundamental para a estabilidade econômica do Brasil.

Maia, 49 anos, não tem medo de revelar o escopo de suas ambições: além de planejar usar sua coalizão centrista para aprovar uma série de outras reformas ao longo do próximo ano, o presidente da Câmara também fala abertamente sobre seu flerte com uma possível disputa à presidência.

Maia reconhece que o tema é prematuro – as eleições só ocorrem daqui a três anos, e ele ainda está longe de tomar uma decisão sobre a disputa -, mas ressalta, com certa satisfação, pesquisa recente do Datafolha que mostrou que 25% dos brasileiros o avaliam como “bom” ou “ótimo”. Ainda não é o tipo de número de que Maia precisaria para ser competitivo em uma corrida presidencial, mas o presidente do Senado, em comparação, tem apenas 9% na mesma pesquisa.

‘Terceiro caminho’

“Você me pergunta: você gostaria de ser candidato à presidência do Brasil? É claro que sim”, disse Maia. Se não conseguir uma candidatura viável em 2022, algo que admite ser possível, até provável, Maia espera ter amealhado poder suficiente para influenciar decisivamente a corrida. “Tenho conseguido construir um espaço aqui no centro, meu.”

Rodrigo Maia
Ascensão de políticos radicais em todo o mundo vai perder força à medida que eleitores vão percebendo o custo econômico do constante conflito político, acredita Maia (Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A confiança de Maia em sua possível candidatura se baseia, em parte, na crença de que a ascensão de políticos radicais em todo o mundo, que ajudou a levar Jair Bolsonaro à presidência no ano passado, vai perder força à medida que eleitores percebam o custo econômico do constante conflito político. Uma potencial escalada de ataques entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo discurso ao sair da prisão este mês foi classificado por Maia como “muito radical”, pode acelerar o processo, preparando o terreno para um candidato centrista.

“Meu sentimento é que, se prevalecer o radicalismo, dos dois lados, a sociedade vai procurar um terceiro caminho”, disse Maia, parafraseando o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair.

Se conseguir encontrar um caminho viável para a presidência, Maia poderá seguir os passos de Fernando Henrique Cardoso, que chegou ao poder pela via das reformas na economia.

Quer ficar por dentro de tudo que acontece no mercado financeiro?

Receba de segunda a sexta as principais notícias e análises. É grátis!

Consenso

No caso de FHC, as conquistas foram monumentais. Ele liderou o plano que esmagou a hiperinflação em meados dos anos 90 e deu início a um período de estabilidade que dura até hoje.

Maia sabe que suas vitórias são, pelo menos por enquanto, mais modestas. A reforma da Previdência deve gerar uma economia de cerca de R$ 880 bilhões ao longo da próxima década, ajudando a controlar o déficit fiscal.

Nascido em Santiago, no Chile, onde seu pai exilou-se durante a ditadura militar, Maia cursou a universidade no Rio de Janeiro, mas não se formou. Após uma breve carreira no setor bancário, Maia seguiu o pai na carreira política e está no sexto mandato como deputado federal pelo Rio.

Reformas

Na agenda de Maia há uma série de reformas destinadas a estabilizar as contas públicas e a impulsionar uma economia desaquecida. Isso inclui mudar o complicado sistema tributário — o que, segundo Maia, pode gerar mais crescimento do que a reforma da Previdência –, bem como um conjunto de projetos de lei destinados a limitar os gastos governamentais e uma mudança no marco regulatório do saneamento básico para atrair investimentos em projetos de infraestrutura.

Maia afirma que pode aprovar todas as reformas até julho de 2020. A história sugere uma dose de irrealismo na meta. A reforma tributária, em especial, é um desafio de décadas, que vários governos fracassaram em enfrentar. Mas Maia gosta de destacar uma história mais recente – a aprovação da reforma da Previdência – como evidência do que é possível.

“Como todo mundo dizia que a gente não ia aprovar a Previdência, principalmente do tamanho que a gente aprovou e com os votos que a gente teve, tenho que ser otimista em relação às outras reformas.”

Última atualização por Diana Cheng - 18/11/2019 - 14:03