Analista vê governo ‘acelerando com freio de mão puxado’ e espera inflação chegando a 6% no meio do ano
A divulgação dos dados do IPCA-15, considerado a prévia da inflação, movimentou o cenário macroeconômico nesta quinta-feira (27). Para Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, os números de março não trazem nenhuma tranquilidade.
“A inflação vai continuar subindo, porque temos observado o governo acelerar com o freio de mão puxado, ao invés de trabalhar junto com o Banco Central para esfriar a atividade econômica”, disse Spiess em entrevista ao Giro do Mercado.
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Segundo o analista, a alta de 0,64% em março não aponta para desaceleração, apesar de ser menor do que a do mês anterior. Por não contar com o efeito rebote do bônus de Itaipu, presente em fevereiro, o número veio naturalmente menor.
A grande preocupação é em relação à alta acumulada dos últimos doze meses, que já chega a 5,26%. Spiess vê o índice atingindo o patamar de 6% no meio do ano.“É uma aceleração muito brusca, que justifica o aperto monetário promovido pelo Banco Central. Então essa conversa de que a inflação está controlada é conversa fiada”.
Após a metade do ano, a inflação deve finalmente desacelerar, mas ainda deve se manter acima dos 5%, rompendo mais uma vez o teto da meta. Em relação aos juros, o analista vê a Selic chegando aos 15% antes de voltar a cair.
O especialista ainda comentou sobre o momento da bolsa brasileira, que se beneficia de fatores como uma rotação regional, que traz investidores estrangeiros para um mercado barato e de posicionamento técnico favorável, como o brasileiro.
“Temos também o início de uma perspectiva sobre começar a discutir cortes de juros em um segundo momento, o que também é positivo. Além do rali eleitoral, que foi antecipado do ano que vem para este, com possibilidade de grande captura em caso de mudança de pêndulo político”, afirmou.
O programa ainda abordou o final da temporada de balanços e os novos desdobramentos da política econômica dos Estados Unidos (EUA). Para acompanhar o Giro do Mercado na íntegra, acesse o canal do Money Times no youtube.
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