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Alívio em tensão comercial EUA-México elevou otimismo no exterior; Ibovespa sobe

Investing.com Brasil - 06/06/2019 - 18:46
O principal índice acionário brasileiro subiu 1,26% a 97.204,85 pontos, com R$ 13 bilhões em volume negociado

Por Investing.com

As disputas comerciais que os EUA se envolvem neste momento trazem cautela aos investidores na avaliação do prêmio dos ativos desde o mês passado. A expectativa de o Fed iniciar novo ciclo de afrouxamento monetário, com declarações do chairman Jerome Powell nesta direção, trouxe um sentimento bullish ao mercado nesta semana.

Somou-se ao bom humor dos investidores, na sessão desta quinta-feira, a possibilidade de os EUA adiarem o início de imposição de sobretaxas sobre produtos mexicanos, último flanco comercial aberto pelo presidente tuiteiro Donald Trump. No entanto, inexistência de distensão no flanco comercial contra os chineses mantém a precaução nas teses de investimentos.

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Ibovespa surfou com o otimismo no exterior no pregão de hoje e fechou em alta. Os investidores locais também estiveram atentos com desdobramentos políticos de Brasília, como a aprovação no Senado do novo marco regulatório do Saneamento Básico, a tramitação da reforma da Previdência e o julgamento no STF sobre a exigência de consultar o Congresso na venda de ativos de estatais.

O principal índice acionário brasileiro subiu 1,26% a 97.204,85 pontos, com R$ 13 bilhões em volume negociado. A maioria das ações terminaram no campo positivo, com apenas 28,79% dos papéis terminando no vermelho.

Via Varejo (VVAR3) foi novamente destaque, desta vez entre as maiores altas do índice do dia. Os papéis da companhia subiram 6,45% a R$ 4,95 com lançamento de banco digital, em parceria com a startup americana Airfox, com objetivo de oferecer serviços financeiros à população de baixa renda desbancarizada.

O crescimento de 4,2 pontos percentuais na taxa de ocupação em seus voos em maio colocou a Azul (AZUL4) com a segunda maior alta do dia no Ibovespa, com ganhos de 5,1% a R$ 42,69. O destaque negativo ficou com as ações da Estácio (ESTC3), com queda de 3,11% a R$ 27,41.

dólar se recuperou na valorização em relação ao real na sessão anterior, quando subiu 1%. A moeda americana aproveitou o bom humor externo para ceder 0,33% a R$ 3,8826.

Federal Reserve Jerome Powell
(Imagem: Federal Reserve)

Fed dovish e adiamento de tarifas sobre México animam exterior

As principais bolsas internacionais estão com sentimento bullish de que o Fed vai iniciar em breve um novo ciclo de afrouxamento para “sustentar a economia” americana, conforme afirmou o presidente da instituição, Jerome Powell, na última terça-feira. O primeiro indício de nova postura do Fed foi com a queda do rendimento do título de 10 anos, que subiu conforme aumentava a procura pelo ativo, considerado seguro diante incertezas econômicas, como a escalada da tensão comercial dos EUA com outros países.

Os ganhos do título de 10 anos subiram novamente nesta quinta-feira, para 2,131%, ainda insuficiente para normalizar a curva de juros com títulos de prazos menores. Quando há uma inversão na curva de juros, ou seja, o rendimento dos títulos de curto prazo é maior do que o de longo prazo, é tradicionalmente vista como sinal de recessão no horizonte, sendo 2007 a última vez que aconteceu – um ano antes da crise financeira de 2008. Os ganhos do título de 3 meses caíram hoje para 2,316%.

De acordo com Monitor da Taxa de Juros do Fed do Investing.com, investidores apostam a probabilidade de 69,6% de ao menos um corte na taxa de juros na reunião do Fed em julho. Na reunião seguinte em setembro a aposta de ao menos um corte sobe para 90,6%, sendo que a expectativa de ao menos dois cortes chegue a 52%. A taxa de juros está atualmente entre 2,25% e 2,5% na reunião do nono mês do ano.

O aumento da demanda por ativos portos-seguros – como os títulos americanos – está ligado a escalada, desde o mês passado, da guerra comercial entre EUA e China, com abertura de flanco pelos americanos contra União Europeia, Japão e México. Há receios que a disputa acabe interferindo no crescimento global. O FMI estima que, com aumento de tarifas de americanos e chineses, o PIB de 2020 pode perder US$ 450 bilhões.

Indicadores chineses e europeus já apresentam desaceleração, enquanto nos EUA os números são mistos. Apesar de Relatório da processadora de folhas de pagamentos ADP apontasse ontem para uma abertura de apenas 27 mil empregos ante uma expectativa de 180 mil da Reuters, o pedido inicial de seguro-desemprego divulgado hoje se manteve estável, com 218 mil pedidos contra expectativa de 215 mil.

No flanco chinês, o presidente Donald Trump disse que espera um acordo, como também com o México. No entanto, reiterou ameaça de taxar outros US$ 300 bilhões em produtos chineses, que será decidida após reunião do G-20 neste mês no Japão, quando deve ter um encontro bilateral com líder chinês Xi Jinping. O Ministério do Comércio chinês adotou um tom desafiador ao afirmar que a “China luta até o fim” se a decisão americana for aumentar as tensões, embora os chineses não desejem uma disputa comercial.

Em relação ao caso mexicano, Trump disse que não houve progresso suficientes, enquanto o vice-presidente Mike Pence pediu que o México tivesse mais empenho em combater a entrada ilegal de imigrantes na fronteira entre os dois países. O governo mexicano respondeu com detenção de imigrantes na fronteira do país com países da América Central, de onde é crescente a onda migratória aos EUA passando pelo território mexicano.

A possibilidade de adiamento da imposição de tarifas sobre o México – inicialmente agendada para segunda-feira – renovou o ânimo bullish dos investidores em Wall Street. Dow Jones subiu 0,71%, enquanto S&P 500 teve ganhos de 0,61% e Nasdaq cresceu 0,53%.

Julgamento do STF

O julgamento da liminar do ministro Ricardo Lewandowski que exige consulta ao Congresso antes da venda de ativos de estatais foi retomado nesta quinta-feira. A projeção de que a maioria do plenário dispensaria a consulta estava nos preços dos ativos e empurrou o Ibovespa para cima. Após o fechamento do mercado, 6 ministros votaram pela dispensa e confirmaram a expectativa do mercado.

O resultado do julgamento impacta Petrobras (PETR4), que recentemente vendeu a TAG para elétrica Engie (EGIE3). As ações da estatal subiram com a aproximação do desfecho positivo na maior instância Judiciária, com alta de 1,62% a R$ 26,28 nas preferenciais.

Os investidores também estiveram de bom humor com aprovação no Senado do novo marco regulatório do Saneamento Básico. O texto será encaminhado, agora, para a Câmara dos Deputados. A nova legislação vai facilitar o acesso dos investimentos da iniciativa privada no setor, o que pode determinar o futuro de estatais estaduais de saneamento, que podem ser privatizadas após entrada da lei em vigor.

Petróleo

A possibilidade de suspensão da entrada em vigor de taxas de importação sobre produtos mexicanos levou à subida de 2% do petróleo no fim da tarde. O WTI, negociado em Nova York, subiu 91 centavos, ou 1,7%, a US$ 52,51 por barril, depois de passar a maior parte do dia em território negativo. No comércio pós-liquidação, o WTI subiu mais de 2%.

O WTI caiu para US $ 50,62 na quarta-feira, seu nível mais baixo desde 14 de janeiro, depois que a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos informou um aumento de aproximadamente 7 milhões de barris nos estoques de petróleo bruto no país, contra expectativas de um aumento de 850.000.

Brent, referência global do petróleo negociado no Reino Unido, subiu US$ 1,04, ou também 1,7%, para US$ 61,67 por barril. Como WTI, continuou a subir após a liquidação, negociando com alta de mais de 2%. O Brent atingiu a mínima de cinco meses de US$ 59,45 na quarta-feira, ficando abaixo do principal apoio de US $ 60 por barril, após divulgação do estoque bruto pela IEA.

O WTI alcançou em abril os recordes de 2019, chegando a US$ 66,60. O mesmo ocorreu com Brent, que atingiu o pico de US$ 75,60. A combinação de cortes de produção da Opep e sanções norte-americanas às exportações de petróleo iraniano e venezuelano contribuíram para a alta. Desde então, a escalada das negociações comerciais e de surpresa dos EUA e da China, e depois com o México, dominou a narrativa do petróleo, provocando preocupações com a recessão global.

Outras ações

SABESP (SBSP3) caiu 0,39%, em meio a realização de lucros, após o Senado aprovar projeto de lei que atualiza o marco regulatório para o setor de saneamento básico, considerado crucial para uma eventual privatização da empresa paulista. Na máxima da sessão, o papel chegou a subir 3,79%, para 50,70 reais, máxima histórica intradia.

BANCO DO BRASIL (BBAS3) fechou com elevação de 2,54%, após forte recuo na véspera, que analistas atribuíram a potenciais efeitos de uma especulada recuperação judicial do grupo Odebrecht. No setor, BRADESCO PN (BBDC4) valorizou-se 2,19% e ITAÚ UNIBANCO PN (ITUB4) mostrou acréscimo de 1,05%.

BRASKEM (BRKM5) recuou 2,35%, engatando a quarta queda seguida e renovando mínima desde julho de 2017 em meio a uma lista de adversidades que a petroquímica vem enfrentando, incluindo desistência da LyondellBasell Industries (NYSE:LYB) de adquirir o controle da companhia.

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