Internacional

Acordo com União Europeia oferece pouca vantagem ao Mercosul, diz Haddad

31 mar 2025, 16:35 - atualizado em 31 mar 2025, 16:35
Fernando Haddad,ministro da Fazenda, em entrevista ao podcast Flow (07032025) (Imagem: reprodução)
Fernando Haddad,ministro da Fazenda, em entrevista ao podcast Flow (07032025) (Imagem: reprodução)

O acordo selado entre Mercosul e União Europeia oferece pouca vantagem ao bloco sul-americano em comparação com o lado europeu, e seu valor é mais político, disse nesta segunda-feira (31) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Em evento do Instituto de Estudos Políticos de Paris, Haddad afirmou que o acordo selado entre os dois blocos — mas que ainda depende de ratificação dos países membros — pode ser uma alternativa a um mundo polarizado.

“Quando você olha para o acordo, do ponto de vista meramente econômico, não salta à vista uma grande vantagem para o Mercosul”, disse.

“Se você perguntar para qualquer diplomata brasileiro se ali tem uma vantagem econômica explícita que vai efetivamente representar um salto para a neoindustrialização do Cone Sul, você não vai encontrar nenhuma cláusula que garanta isso.”

O ministro argumentou que o acordo deveria ser considerado politicamente, não apenas economicamente. Ele sugeriu uma visão mais ampla sobre as negociações do que uma análise “defensiva”, com o Brasil imaginando que seria prejudicado por meio de uma desindustrialização, enquanto europeus temeriam pelos produtores agrícolas.

“A Europa deveria ter um olhar político sobre esse acordo também, e não apenas ficar discutindo item por item, onde você vai ganhar, onde você vai perder. Se você vai perder no açúcar, você tem que ganhar no carro, e você tem que ganhar… Nós não vamos chegar a uma conta que vai ser 100% benéfica para um dos lados”, disse.

Em dezembro de 2024, Mercosul e União Europeia fecharam o acordo de livre comércio negociado há 25 anos, mas há um longo processo para transformá-lo em realidade.

O texto precisa ser legalizado, traduzido e depois aprovado pelos países membros, e pode até ser bloqueado, sendo a França o oponente mais feroz.

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reuters@moneytimes.com.br
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