Ação do Banco do Brasil (BBAS3) vai estacionar em 2025, vê JPMorgan, que rebaixa papel

O Banco do Brasil (BBAS3) recuperou parte do tombo que levou no ano passado. Negociado na casa dos R$ 30, o papel escalou 17% no acumulado de 2025. E para o JPMorgan, a ação deve parar por aí.
O banco alterou a recomendação de compra para neutra, com o mesmo preço-alvo, de R$ 31, o que representa potencial de alta de 8% ante o fechamento da sexta. Com o rendimento de 10% de dividendos, o retorno chega a 18%.
Nesta segunda-feira (31), BBAS3 caíram 1,54%, a R$ 28,20.
No relatório, os analistas até elogiam o banco, com boa história de longo prazo e bons dividendos. Porém, faltam gatilhos para sustentar a alta.
“Não enxergamos espaço para novas revisões de lucro por ação (EPS) ou redução no custo de capital próprio (CoE) neste momento. A falta de catalisadores de curto prazo e um retorno total limitado de 18% motivam nosso rebaixamento”.
- VEJA MAIS: NTCO3, MELI34, VIVA3 e outras duas ações estão no radar dos bancos e casas de análise esta semana
Além disso, os analistas dizem que a inadimplência no agronegócio deve se deteriorar, com um ponto de inflexão no 2º trimestre de 2024.
Porém, a visão da estatal para o setor é positiva, com melhora na produção agrícola e nas margens dos produtores (+50% ano contra ano). O BB também mencionou que o PIB agro deve passar de -3,2% para +6,0%.
O BB também está com olhos atentos para antecipação de salários do setor privado, uma forma de oportunidade de diversificar a carteira de crédito para pessoas físicas.
- VEJA MAIS: Copom deixa ‘recado oculto’ para investidores após nova alta da Selic; confira
Hoje, 80% da folha de pagamento do BBAS vem de servidores públicos, 16-18% do INSS e apenas 2-4% do setor privado.
O banco não participou dos primeiros dias de oferta do produto (apenas a Caixa), mas tem sido mais ativo recentemente.
BTG também é rebaixado
O JP também rebaixou o BTG (BPAC11) de compra para neutro pelo mesmo motivo: potencial de valorização limitado. O preço-alvo é de R$ 38.
“Assim como no Banco do Brasil, não estamos alterando nossas projeções de lucro por ação (EPS) nem o preço-alvo, mas destacamos que alguns indicadores do setor começaram o ano de forma fraca”.
As projeções do banco já incorporam uma expansão do ROE (retorno sobre o patrimônio) para este ano.
Os analistas acreditam que a relação risco-retorno das ações agora está mais equilibrada, “considerando os múltiplos de 9,2x os lucros estimados para 2025 e 2x o P/BV esperado para 2025, além de uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) do lucro por ação de 16% nos próximos dois anos”.