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‘A super cana precisa se tornar operacional para ser economicamente viável’, diz Ricardo Mussa, ex-CEO da Raízen (RAIZ4)

03 abr 2025, 18:19 - atualizado em 03 abr 2025, 18:19
raízen raiz4
Ricardo Mussa, que ficou à frente da maior produtora global de etanol de cana-de-açúcar do mundo entre 2020 e fim de 2024 (Imagem: Raízen/Divulgação)

O ex-CEO da Raízen (RAIZ4), Ricardo Mussa, que ficou à frente da maior produtora global de etanol de cana-de-açúcar do mundo entre 2020 e fim de 2024, falou sobre o projeto da “super cana” em entrevista ao Money Times.

A variedade que ganhou as atenções do noticiário sucroenergético no começo deste ano, é o grande projeto e aposta do empresário Eike Batista, que já recebeu uma promessa de aporte de US$ 500 milhões do grupo de investimentos Brasilinvest, do empresário Mário Garneiro

“Estudamos a ‘super cana’ na Raízen, que nunca se mostrou viável por algumas razões. A ‘super cana’ tinha uma dificuldade de colheita porque ela tinha uma densidade enorme, uma dificuldade operacional de esmagá-la”.

Para ele, o sistema não está preparado, “mas o conceito é muito bacana”.

“Lá atrás tentamos e não deu certo, e acabamos desistindo do processo da ‘super cana’”, explicou.

Mussa disse sempre se interessar, como o projeto da ‘super cana’, por projetos atrelados a biomassa.

“A taxa de conversão dela em biomassa é muito alta, mas para ser economicamente viável, ela primeiro precisa ser operacionalmente viável, e nunca conseguimos fazer isso acontecer”.

Em sua visão, é um projeto que tem uma série de pontos interessantes, mas que tecnicamente conta com muitos desafios.

“No caso do etanol de segunda geração (E2G), você usava o bagaço que já estava disponível na esteira da usina”. 

Para “super cana”, o ex-CEO da Raízen explica que era necessário desenvolver um equipamento, uma nova forma de fazer a colheita e novos métodos de processamento.

Ele disse ainda que a variedade tem um longo caminho operacional a percorrer para se tornar viável.

“O bacana fica pela taxa de conversão em biomassa que ninguém nega e que nos atraiu para o projeto. Não conseguimos torná-la viável, mas espero que dê certo”.

“Eu via outras rotas como a da celulose do bagaço de cana-de-açúcar como mais viável, com menos desafios técnicos. O E2G já é uma realidade, com uma demanda já garantida para preço e volume, o que tira muito o risco do projeto”. 

Também em entrevista ao Money Times, o sócio de Eike e CEO da BRXd, Luis Rubio, disse que o projeto deve começar a gerar caixa em 2028

Segundo Eike e seu sócio, a “super cana” produz de duas a três vezes mais etanol por hectare, e de 10 a 12 vezes mais biomassa por hectare. 

Durante o CEO Conference, realizada pelo BTG Pactual, o CEO da Cosan (CSAN3), Rubens Ometto, também havia dito que a companhia já trabalhou em cima do projeto da super cana e decidiu abortar os planos.

“O etanol de segunda geração, sim, é uma inovação real. Ele permite aumentar em até 40% a produção sem precisar expandir o plantio. E se eletrificarmos as usinas, podemos dobrar a produtividade sem nenhum investimento adicional em novas lavouras”, comentou. 

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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu. Atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por pouco mais de 3 anos no Canal Rural, onde atuou como editor do Rural Notícias, programa de TV diário dedicado à cobertura do agronegócio. Por lá, também participou da produção e reportagem do Projeto Soja Brasil e do Agro em Campo. Em 2024, ficou entre os 80 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio.
pasquale.salvo@moneytimes.com.br
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