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6 lições do Fundo Verde para investir atento às novas tecnologias

Conrado Mazzoni - 10/01/2018 - 15:32

É bom se acostumar com o termo disruption – mudança abrupta de modelos de negócios. Para a Verde Asset, do gestor Luis Stuhlberger, “você tem risco tecnológico em seu portfólio, quer saiba quer não”. A carta de dezembro do fundo multimercado Verde Prisma, que combina estratégias no Brasil e no exterior, chama atenção pelo tamanho (20 páginas) e pelo tema abordado: o impacto das novas tecnologias na hora de investir.

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No documento, ao reiterar o foco no longo prazo e a busca contínua por novos prismas para analisar o fundo, o time da gestora fala em mudar a forma de ver o mundo à luz das transformações tecnológicas recentes.

“Mesmo aqueles que nunca investiram um centavo em ações de tecnologia possuem um risco tecnológico relevante em seu portfólio, quer saibam, quer não. Não reconhecer isso pode ter consequências graves”, diz a carta.

Veja, a seguir, as seis conclusões do Fundo Verde:

1 A velocidade de mudança está aumentando e traz consigo uma mudança no padrão de criação de riqueza.

Ao analisar a velocidade da evolução tecnológica sob a ótica dos investimentos, é preciso considerar o padrão da curva em S. Ou seja, na primeira fase de uma tecnologia, o avanço é gradual e pode frustrar pela lentidão. Na sequência, quando do ponto de inflexão, o crescimento decola e há o risco de se deixar levar pela euforia. Depois vem a maturidade.

“Nosso cérebro é evolutivamente programado para lidar com fenômenos lineares. Assim, ao projetar eventos no futuro, é bastante natural simplesmente que extrapolemos linearmente as tendências recentes.”

Além disso, ao observar os maiores valores de mercado da atualidade, fica claro que o mercado hoje remunera mais as empresas de “capital intelectual”. Vale mencionar aqui Amazon, Apple e Google em vez da predominância de setores dotados de muitos ativos fixos, como ferrovias, siderurgia e petróleo.

2. A tecnologia é uma grande destruidora de barreiras à entrada.

O avanço acelerado da tecnologia implica custos em queda a taxas mais drásticas do que os padrões históricos. Por definição, as novas tecnologias diminuem o custo de transação e, por consequência, a barreira à entrada de uma ampla gama de setores.

Dentre os exemplos de destruição de barreiras, há o efeito do Uber nos táxis e o do Airbnb com os hotéis. “Outro exemplo é o mercado de publicidade onde Google e Facebook vem deslocando as agências tradicionais e se apropriam de um volume cada vez maior das receitas do setor.”

3. Pense muito bem sobre o que considera barreiras à entrada em cada setor.

Conforme o conceito de value investing, a partir das barreiras de entrada, as empresas colheriam retornos acima do custo de capital e o investidor usufruiria por longo período da “mágica” do retorno composto, multiplicando o capital investido.

No entanto, “o ponto relevante neste aspecto consiste em pensar bem sobre a natureza e solidez daquilo que você considera barreira à entrada, pois ela pode se provar mais efêmera do que você pensa.”

4. Muitos modelos de negócio são passíveis de ser – e eventualmente serão – “disrupted”. A pergunta é se o serão por si mesmo ou por terceiros;

A premissa é que negócios são afetados por “disruption” de formas desiguais, ou seja, algumas indústrias deixarão de existir por completo e outras serão menos afetadas. “A ‘arte’ na seleção de ações estará em identificar em que medida os negócios em que investimos serão impactados, e se isso já se reflete de alguma forma no valuation das empresas.”

5. Você tem risco tecnológico em seu portfólio, quer saiba quer não.

Dois pontos merecem destaque neste tópico. Em primeiro lugar, a questão da marca, quesito sempre tido como valiosa barreira de entrada. A tecnologia está mudando a forma como as pessoas se relacionam com os produtos.

“Quem determina o resultado de uma busca por produto na internet não somos nós, mas sim os algoritmos de busca do Google, Amazon, etc. Assim sendo, eles têm uma influência grande sobre nossas escolhas. ‘Likes’ no Facebook passam a ser mais importantes para determinar a opinião da nova geração (Millenials) sobre um produto do que todos os gastos em propaganda na TV.”

Portanto, neste segundo ponto da relação entre consumidor e marca, nota-se redução do reconhecimento e, consequentemente, do valor percebido das marcas. “O mercado foi rápido em quantificar o risco Amazon sobre as empresas do varejo tradicional. O que a análise acima sugere é que se deve considerar o risco em uma gama muito mais ampla de setores.”

6. Do ponto de vista de investimento, evitar os perdedores é tão ou mais importante do que identificar os ganhadores (e certamente mais fácil).

Em síntese: “isso não significa que todas as marcas serão impactadas igualmente, nem que, em um futuro próximo, só consumiremos produtos ‘Amazon’. Contudo, do ponto de vista de investimento, é prudente e necessário um esforço adicional para determinar o real valor de uma marca e a verdadeira vantagem comparativa de um negócio”.

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