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5 motivos que estão segurando o “rali de Natal”

Opinião - 13/12/2018 - 11:41

Por José Castro, autor da série Trading Journal na Inversa Publicações, e Mateus Fontanini

No dia 20 de novembro, no vídeo chat comentamos sobre um possível “rali de Natal” da Bolsa brasileira. Entretanto, alguns fatores vêm contribuindo para segurar esse movimento.

Os principais são:

1. Guerra comercial: Após o G20, no final de novembro, o mercado esperava uma trégua de 90 dias entre Estados Unidos e China, conforme anunciado no encontro. No entanto, os tweetsdo presidente norte-americano e a prisão da executiva chinesa Meng Wanzhou – no Canadá, a mando dos EUA – por supostos envolvimentos com o Irã agravaram as relações já estressadas das duas economias, dificultando um possível acordo para colocar fim a essa guerra que contamina todos os mercados.

2. Economia norte-americana: a primeira correção negativa da Bolsa brasileira em 2018 começou em fevereiro após o banco central dos EUA (FED) se posicionar de forma mais austera na sua política monetária, apertando o ritmo de elevação na taxa de juros para conter inflação na casa dos 2% ao ano. Após duras críticas do presidente norte-americano e sinais de uma inflação mais comportada, o FED passou a discursar de forma mais suave, sinalizando que o ciclo de alta dos juros pode ser reduzido em 2019. Isso seria um ótimo gatilho de alta para o mercado brasileiro, que se beneficiaria de um fluxo positivo para os emergentes. Porém, o que está em discussão agora é o oposto: a sustentabilidade do crescimento dos EUA entra em debate e já se fala em uma possível desaceleração da economia norte-americana e mundial, sendo que juros mais altos podem contribuir para esse movimento. Com medo dessa recessão, houve muita fuga de capitais dos mercados emergentes para ostreasuries (títulos norte-americanos considerados os mais seguros do mundo).

3. Reforma da Previdência e cessão onerosa: todos já sabiam que a reforma da Previdência ficaria para 2019, porém a ansiedade do mercado e a falta de clareza de como será realizada não agradam os investidores, principalmente os estrangeiros. Já a cessão onerosa, que beneficia diretamente a Petrobras e que pode arrecadar para o governo algo em torno de R$ 100 bilhões, não consegue evoluir no Congresso Nacional nem no TCU (Tribunal de Contas da União). O atual e o futuro ministro da Fazenda, Eduardo Guardia e Paulo Guedes, também não chegaram a um acordo que facilite o processo. Esses impasses vêm contribuindo para desgastar o que o mercado chamou de “benefício da dúvida” concedido ao novo governo. Além disso, o caso mal esclarecido ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre a movimentação de R$1,2 milhão de um ex-assessor de Flávio Bolsonaro (filho do futuro presidente) tem prejudicado a imagem do novo governo.

4. Brexit: quando tudo parecia resolvido entre a primeira ministra do Reino Unido, Thereza May, e a União Europeia para que o país saísse do bloco com um acordo bilateral, o Parlamento inglês decidiu entrar em cena. Sem chegar a uma resolução, os congressistas parecem não estar de acordo com as exigências feitas pelo bloco. Angela Merkel, chanceler alemã, disse que não fará mais concessões e a libra está sofrendo fortes desvalorizações. Adicionalmente, May sofre com problemas de governabilidade e quase foi afastada do cargo após passar por uma moção de censura.

5. Itália e França: a Itália está desafiando a União Europeia a não reduzir o seu déficit para 1,9% do PIB para 2019. O bloco estaria disposto a aceitar no máximo 1,95% para que não se abra um processo de déficit excessivo contra o país. Já na França, o presidente Emmanuel Macron suspendeu diversas medidas anti-populistas após atingir apenas 23% de aprovação, sofrendo a pior crise desde o início de mandato. Os mercados estão apreensivos sobre o desenrolar desses episódios.

Colocamos tópicos em ordem do que acreditamos que mais impede o “rali de Natal”. Por outro lado, o desenrolar positivo de qualquer um desses assuntos é extremamente benéfico para os mercados emergentes, principalmente o Brasil. Por isso, na série Trading Journal acompanhamos diariamente o decorrer desses fatos para poder surfar o melhor momento do possívelbull market no final de ano.

Lembramos também que no ano passado não tivemos o “rali de final de ano”, após um excelente 2017. A Bolsa brasileira passou por uma correção de outubro até dezembro, porém ao iniciar o ano de 2018 tivemos um janeiro com recorde de investimento estrangeiro para o mês e em fevereiro o Ibovespa alcançou os então inéditos 88.317 pontos.

A nossa indicação no curto prazo é ter paciência e não se precipitar ao abrir novas posições na Bolsa, oportunidades não faltarão.

No decorrer dessa semana preferimos observar de fora para aguardar o melhor momento de voltar às compras, avisaremos quando esse momento chegar.

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